Por Tomas Chamorro-Premuzic

Você costuma desacreditar os testes de personalidade? Você acha que eles são uma perda de tempo porque as pessoas estão sempre tentando mentir nas respostas? Você acha que você consegue trapacear nos testes?

Testes de personalidade têm sido utilizados para avaliações clínicas, educacionais e profissionais por mais de cem anos – e essa informação comprova que eles são eficazes, além de evidenciar o fato de que os próprios testes foram constantemente avaliados durante esse período. Esses estudos produziram três descobertas e estratégias para evitar que as respostas falsas sejam consideradas válidas:

1.   A maior parte das pessoas tenta melhorar as respostas dos testes na mesma proporção. Por exemplo, em um teste aplicado durante uma entrevista de emprego, o candidato tenta ser mais positivo entre 10%-20%. Isso acontece porque as pessoas tendem a ir sempre na mesma direção. A partir daí fica fácil analisar as diferenças que restam.

2.   Os melhores testes são aqueles que revelam as intenções reais: quem está fazendo não sabe o que está realmente sendo avaliado, ou porque algumas perguntas estão presentes. Além disso, a maior parte das avaliações consegue prever qual é o tempo médio que uma pessoa leva para responder a cada questão, e alertar avaliadores a respeito de qualquer comportamento fora do padrão. Ou seja: é melhor ser honesto do que tentar ludibriar o sistema.

3.   Há poucas pessoas que realmente conseguem distorcer seus resultados, apesar dos dois pontos acima. Mas isso realmente não importa porque: 1) esse nível de habilidade é extremamente raro (para cada pessoa que consegue fazer isso, 90 não conseguem); 2) há uma correlação direta entre a habilidade de distorcer os testes e o sucesso das repostas que esses testes estão designados a prever. Se você  é bom em responder testes de personalidade, você também tende a ir bem na sua carreira, relacionamentos e outras áreas da vida. É uma habilidade que prediz altos níveis de adaptação e funcionalidade social no mundo real.

Os testes de personalidade revelam o seu “eu real”?

Você provavelmente está olhando os testes de maneira errada se você está preocupado que eles terão como resultado uma versão errada do seu “eu real”. As avaliações não são feitas para refletir como as coisas são – e sim servem para predizer um comportamento futuro. Se o seu resultado sugere que você é impulsivo, isso é realmente uma avaliação de como você poderá agir no futuro – o que equivale dizer que você costuma tomar decisões de forma espontânea e pouco racional.

E porque os testes estão aqui para predizer o futuro, sua eficácia pode ser aferida com relativa facilidade. Um bom exemplo do que acontece com os testes está no setor financeiro. Se os testes indicam que você gosta de assumir riscos, essa inferência pode ser testada a partir do seu comportamento. Aqui, o sucesso do teste não depende se o teste captura o seu “eu real”, e sim, se ele  prediz como você vai se comportar. “Ser honesto”, nesse contexto, é simplesmente definido pela relação entre as suas respostas e comportamentos futuros.

Esse método de avaliação funciona até mesmo com coisas que aparentemente são subjetivas, como ter um bom senso de humor. Nos testes, 90% dos avaliados dizem que tem senso de humor. Eles não estão mentindo tecnicamente, eles se consideram engraçados. Mas a verdade objetiva é que apenas 10% das pessoas são geralmente avaliadas por outros como divertidas. Curiosamente, essas pessoas tipicamente respondem NÃO a essa pergunta. Bons testes podem avaliar tudo isso, e ainda assim predizer se alguém será realmente divertido, independente de sua resposta a essa pergunta.