Posts Taged vida-e-equilibrio

O lado negro da criatividade

Por Tomas Chamorro-Premuzic

Poucos traços psicológicos são tão desejados quanto a criatividade – que nada mais é do que a habilidade para gerar ideias novas e úteis. Contudo, também é verdade que a criatividade está relacionada a uma série de qualidades prejudiciais e negativas. Estar atento a essas tendências contraproducentes é importante para qualquer indivíduo que deseja entender melhor a própria criatividade ou a de outras pessoas.

Pesquisas indicam que há uma ligação entre a criatividade e o emocionalidade negativa. É claro que você não precisa ser uma pessoa depressiva para ser criativa, mas é verdade que há algum apoio empírico no estereótipo de artistas que tendem a ser depressivos ou sofrem com mudanças de comportamento. Em média, pessoas que são emocionalmente estáveis podem ser felizes o suficiente para não acreditar que precisam criar novas ideias. Afinal de contas, se o status quo é bom, por que mudar?

O padrão de pensamentos que define o processo criativo e conduz a ideias originais também pode ter um lado inadequado. Por exemplo, a criatividade exige a inabilidade para suprimir pensamentos a primeira vista irrelevantes e ideias aparentemente inapropriadas – e pensadores criativos também tendem a ter um controle ruim de seus impulsos.

Mais recentemente, a criatividade foi associada a comportamentos desonestos, porque presumivelmente permite que indivíduos distorçam de maneira criativa a realidade. Isso para não falar com todas as letras que pessoas criativas são antiéticas. A verdade é que a tolerância baixa desses indivíduos com o tédio e convenções sociais, junto com a imaginação vívida que possuem, torna-os equipados com ferramentas sofisticadas para enganar outras pessoas.

Pesquisas também descobriram que indivíduos criativos com frequência são mais narcisistas, e que o narcisismo pode impulsionar conquistas criativas. Uma pessoa narcisista geralmente está concentrada em si própria, desenvolvendo suas próprias ideias e pouco preocupando-se em agradar os outros. No entanto, é importante notar que os narcisistas também acreditam que são mais criativos do que realmente são. Mas de uma maneira geral, as pessoas não conseguem avaliar corretamente o nível de criatividade de um indivíduo – pode ser que os observadores sejam levados a acreditar que um indivíduo seja mais criativo apenas por apresentar mais confiança e entusiasmo.

É claro que o lado bom da criatividade ofusca o lado negro. A criatividade está relacionada a uma ampla variedade de emoções positivas, como o engajamento e o bem-estar. Quando as pessoas são encarregadas de funções significativas e ganham autonomia sobre seu trabalho, acabam por liberar sua criatividade, usufruindo ao máximo os benefícios. No nível organizacional, a criatividade também providencia o desejo de mudança e progresso. Sem ela, provavelmente ainda estaríamos vivendo na idade das trevas.

Com HBR

O lado negro da criatividade
Leia Mais

Existe diferença entre a sua personalidade online e off-line?

Nossos hábitos nos definem. Qual será a veracidade dessa afirmação em relação aos nossos hábitos digitais? As pessoas são as mesmas online e off-line? Provavelmente nos primórdios da internet tínhamos a confiança de que o nosso comportamento online não revelaria muito sobre as nossas personalidades reais. Porém, na medida em que a internet ganhou mais importância na vida das pessoas, o anonimato e o desejo de mascarar as nossas verdadeiras identidades foram abandonados.

As atividades online tornaram-se uma parte integral de nossas vidas. Segundo estudo divulgado pela Pesquisa Brasileira de Mídia em 2015, os brasileiros passam cerca de cinco horas por dia conectados durante a semana. No celular, o tempo gasto no Brasil é de três horas e 40 minutos online, de acordo com pesquisa da GlobalWebIndex – ocupando a terceira posição no mundo.

Igual acontece nos reality shows e Big Brothers da vida, é difícil fingir no ambiente online quando você está sendo observado por um longo período de tempo. Por outro lado, a trapaça deliberada e controlada é relativamente fácil durante interações curtas, como entrevistas de emprego, primeiros encontros e em festas. Todos nós gostamos de abrir uma janela para exibir o lado brilhante de nossa personalidade, e que esteja de acordo com a etiqueta social, mas o que será que acontece quando nossa vida é divulgada abertamente e sem controle?

Apesar de sermos mais do que apenas o histórico de navegadores de internet, é bem possível que as visitas em sites, e-mails enviados e atividades em redes sociais carreguem os traços de nossa personalidade. Antes da era digital, as pessoas revelavam suas identidades a partir de bens materiais, algo classificado por psicólogos como a extensão de nossa personalidade. Assim, para interpretar os sinais no perfil da personalidade dos indivíduos, conclusões feitas por um ser humano ainda eram necessárias.

Hoje em dia, muitas de nossas posses já se desmaterializaram. Como dito pelo famoso psicólogo Russel W. Belk: “Nossas informações, comunicações, fotos, vídeos, músicas, documentos, mensagens, palavras escritas e dados são agora invisíveis e imateriais até que sejam resgatados da memória”. Em termos psicológicos, não há diferença entre o significado desses artefatos digitais desmaterializados e nossas posses físicas – ambos ajudam as pessoas a expressarem aspectos importantes de suas identidades a outros indivíduos, providenciando ingredientes centrais para a reputação digital.

Notavelmente, nosso comportamento nas redes sociais pode ser previsto com precisão por avaliações científicas válidas de testes de personalidade. Estudos sugerem que os “likes” do Facebook refletem o quão extrovertida, intelectual e prudente é uma pessoa. Além disso, existem pesquisas indicando que nossas preferências por mídias e compras online também refletem os elementos de nossa personalidade.

Mas apesar de a internet conceder um escapismo para a vida diária, o que acontece de verdade no ambiente online é simplesmente uma imitação da vida real. Dito isso, é evidente que, embora nossa identidade possa estar fragmentada no ambiente online, todas as personas criadas pelo mesmo indivíduo são apenas migalhas digitais de uma mesma personalidade.

Com Hogan

Existe diferença entre a sua personalidade online e off-line?
Leia Mais

Os benefícios e obstáculos do perfeccionismo

O que Steve Jobs, Michael Jackson e Leonardo Da Vinci têm em comum? Fora o talento, eles eram perfeccionistas. O mesmo provavelmente pode ser dito de Madonna, Serena Williams e Gordon Ramsay. Seja nas artes, ciências ou no empreendedorismo, pessoas excepcionais raramente confiam apenas em seu próprio talento. Elas também se devotam integralmente – e até obsessivamente – à qualidade.

Psicólogos estudam o perfeccionismo há décadas, detalhando seu papel de realizar incríveis proezas bem como por suas qualidades destrutivas. De fato, são poucos os traços de personalidade que ilustram a fina linha entre a normalidade e anormalidade melhor do que o perfeccionismo.

Embora as definições variem, sua característica central é a preocupação desproporcional em cometer erros. Perfeccionistas são movidos por seu medo do fracasso, e é essa a força motriz que os motiva a alcançar o que outros não conseguem. É o que os psicólogos avaliaram como uma manifestação adaptativa da síndrome do impostor: como você acha que não é tão bom quanto realmente é, você investe uma grande quantidade de tempo e energia para melhorar.

Alfred Adler e Friedrich Nietzsche se referem a esta disposição como o “complexo de inferioridade” de grandeza. Por trás de cada conquista extraordinária, eles concluíram, um perfeccionista encontra inseguranças dolorosas e dúvidas de si próprio. O sucesso é apenas o antídoto temporário para essas emoções desagradáveis.

Perfeccionismo improdutivo

No entanto, o perfeccionismo nem sempre resulta em grandiosas realizações artísticas e intelectuais. Quando não é acoplado a grande habilidade, resiliência, ou ética de trabalho, o perfeccionismo pode levar à procrastinação e outros comportamentos autodestrutivos, incluindo distúrbios alimentares. Mas isso torna o perfeccionismo igual a tantos outros traços de personalidade: em demasiado ou em carência pode ser prejudicial, mas na quantidade certa pode ser um benefício enorme para a pessoa.

Um fator que contribui para o resultado desse ato de equilíbrio complicado é a “propensão ao stress”. Em um estudo envolvendo estudantes de medicina, que geralmente são mais perfeccionistas, os pesquisadores descobriram que os perfeccionistas tendem a ter um desempenho melhor quando não são atormentados por estresse e ansiedade, mesmo que eles ainda não estejam satisfeitos com suas realizações depois. Por outro lado, os perfeccionistas neuróticos não conseguem se sobressair tão bem, e ainda acabam insatisfeitos com o resultado de seus esforços.

Depende de quem está olhando

Mas há talvez um indicador ainda melhor para saber se o perfeccionismo de alguém será do tipo “bom” ou do tipo “ruim”: o quanto eles se concentram em si mesmos, em vez de outros.

De fato, avaliações de evidências científicas sugerem que, quando os perfeccionistas estão preocupados basicamente em não decepcionar os outros, eles tendem a ter um desempenho pior. Mas quando eles estão fixados apenas em melhorar – superando seus recordes pessoais e trabalhando para aprimorar – em geral, sua performance e bem-estar são positivos.

Em outras palavras, os perfeccionistas são melhores quando são seus piores críticos. Esta forma de autoorientação mantém os perfeccionistas concentrados na tarefa, evitando ansiedades sociais e outras distrações que possam contaminar suas convicções.

Um mundo perfeitamente imperfeito

Finalmente, é importante lembrar que o perfeccionismo também afeta outras pessoas de maneiras positivas e negativas. Amigos, parceiros e membros da família podem sofrer com a devoção do perfeccionista por seu trabalho e carreira. Por outro lado, quando os perfeccionistas entregam grandeza, eles criam valor para a sociedade em geral, inspiram outros a aumentar os seus próprios padrões, e contribuem para a inovação em seus campos.

Em uma época em que tantos conselhos de especialistas se esforçam para ajudar as pessoas a combater o estresse relacionado ao trabalho, é útil lembrar que praticamente todos os empreendedores excepcionais são workaholics e que alguns dos progressos mais significativos existem graças a eles, em vez daqueles que possuem grande capacidade para gerenciar horários e um equilíbrio saudável entre o trabalho e a vida.

Assim, embora possa soar egoísta, a humanidade provavelmente perderia muito ao encontrar a cura para o perfeccionismo.

Com Hogan

Os benefícios e obstáculos do perfeccionismo
Leia Mais

Não faça de seu e-mail uma arma…a vítima pode ser você!

Por Roberto Santos

Parodiando uma campanha contra a violência no trânsito de algumas décadas atrás, que dizia: Não Faça de Seu Carro Uma Arma, a Vítima Pode Ser Você…, o uso da maravilhosa tecnologia do e-mail tem feito muitas vítimas, principalmente no mundo corporativo.

Se o resultado no Brasil for equivalente a nossos recordes de acidentes de trânsito, é melhor estarmos preparados para esta outra guerra, porém com uma abordagem pacifista.

Será que a automatização do processo de envio de mensagens escritas, como as ultrapassados cartas e memorandos datilografados, com cópias em papel carbono, enviados em envelopes, com selos e tudo mais, é a culpada por tantos problemas de comunicação atribuídos aos e-mails?

Mal-entendidos, agressões veladas, delações disfarçadas, distanciamento entre as pessoas, tráfico de “micos”, estrangulamento de redes, quebra de sigilo, desperdício de tempo e outros problemas seriam mesmo causados por essa “obra do demônio”? Nos velhos e bons tempos da Era Pré-Internet e Pré-E-mail esses problemas todos não existiam? Será?

Já devo ter respondido, pelo menos, a uma centena de e-mails recebidos de leitores e leitoras. Certamente, eles não teriam escrito e eu não teria tempo de respondê-los se não tivéssemos essa tecnologia que aproxima, quase que instantaneamente, tantas pessoas, com ideias, dúvidas, críticas, elogios, angústias, pedidos de ajuda e algumas respostas.

Se existe o lado do Bem desta tecnologia e seu uso, onde se encontra o Mal? Numa de minhas primeiras exposições teóricas à Informática, uns 30 anos passados, marcou-me a expressão traduzida do inglês: “entra lixo – sai lixo”. Ou seja, o computador é capaz de processar o lixo que se coloca dentro dele mas não se pode esperar a sonhada alquimia de transformá-lo em ouro. Se colocarmos veneno numa comunicação por e-mail ele provocará seu efeito mortal mais rápido, mas não será transformado em vitamina.

Há outros tantos anos, desenvolvi um curso sobre Gerência de Tempo, então em seus primórdios. Dentre os “desperdiçadores de tempo” que abordava naquele programa, havia um capítulo especial dedicado às correspondências.

A multiplicação de cópias (carbono e depois xerox) para divulgar algo que se fez ou que alguém não fez, para o maior número possível de pessoas. Nas “guerras de memorandos” era comum que gradualmente se aumentava o volume acusatório e o nível hierárquico envolvido. A cópia para arquivo ao final do memo para lembrar ao destinatário que estava protegido contra acusações futuras. Comunicações interdepartamentais que se resolveriam com uma passada no escritório do outro, ou com uma simples ligação telefônica, eram datilografadas por uma fiel secretária ou datilógrafo que diligentemente chamava o contínuo para enviar a declaração de guerra ao oponente.

Estes são alguns dos exemplos tratados naquele curso com os executivos da empresa em que trabalhava, na tentativa de reduzir o desperdício de tempo e o desgaste provocado pelas comunicações mal intencionadas. Adiantou? Não muito, infelizmente.

De volta ao presente, atuando como consultor, em programas de desenvolvimento de liderança, rapidamente surgem reclamações exatamente da mesma natureza: a comunicação interna é um problema central, e o e-mail, geralmente, é colocado no banco dos réus.

Hoje com uma rapidez assustadora, trocas de e-mails impensados, mal escritos, desnecessários, copiados a toda empresa, com puras demonstrações de poder, filas intermináveis de e-mails para lá e para cá que deixariam as folhas corridas de terríveis meliantes com inveja, com metros de comprimento. Isso sem contar, os problemas mais sutis e endêmicos de nossa população: erros crassos de português, de articulação de ideias, de falta de clareza, objetividade e principalmente, etiqueta.

Por conseguinte, minha impressão é que a tecnologia desenvolvida para computadores de mesa, de colo (laptops), smartphones e tablets apenas exacerbou as más intenções das pessoas. O que deveria ser uma solução tecnológica tornou-se um transtorno psicológico e econômico. O banco dos réus está com o culpado errado!

Cabe a cada um de nós repensar o processo de comunicação para evitar que sejamos transformados em vítimas. Depois de abordar a origem do problema, preparei alguns alertas e sugestões que compartilho com vocês a seguir:

1. O e-mail não deve substituir o olho no olho ou ouvido no fone

Uma pesquisa extensamente citada em programas de comunicação encontrou que sua eficácia depende 7% das palavras que são ditas, 38% do tom de voz e 55% da expressão corporal (gestos e expressões faciais). Daí, fica claro, o quanto se perde quando tentamos limitar nossa comunicação interpessoal ao e-mail. Ficamos com apenas 7% para conseguir comunicar o que pretendemos. Portanto, antes de mandar seu próximo e-mail, pense um pouco:

A: A que distância está a pessoa com a qual você precisa se comunicar?

Se estiver a menos de 50 metros ou uma escada escura, levante-se e vá até ela. Principalmente, se for alguém que você não conhece pessoalmente, que não conhece seu jeito de falar, ou ainda, se o assunto for mais delicado do que mandar uma informação simples, não poupe suas calorias e pratique seu networking interno. Fazendo isso, você terá até 100% de probabilidade de sucesso em sua comunicação.

B: Se não puder ir até lá porque não tem tempo, use o aparelho criado por Graham Bell e incrementado pela tecnologia digital e ligue para a pessoa, nas situações descritas no item anterior. Você perderá “apenas” 55% das possibilidades de uma comunicação efetiva, mas ainda terá outros 45%, se usar as palavras e o tom de voz adequados. Mas não se esqueça, é olho no olho e não olho por olho, como alerto a seguir.

2. Se o e-mail for inevitável, não relaxe e capriche…

Às vezes, precisamos transmitir uma mensagem rapidamente para um número grande de pessoas, em diferentes localidades, de distâncias variadas, mas maiores do que alguns passos ou andares. Nesses casos, algumas sugestões:

A: Se sua autocrítica quanto a seu domínio do Português lhe avisa que o pessoal da Academia de Letras está se virando no túmulo, ou em suas cadeiras, procure um curso de revisão gramatical ou, pelo menos, compre um livro daqueles de “Os 100 Erros Mais Comuns”. O mesmo se aplica à sua habilidade de estruturar suas ideias de maneira clara, sucinta e precisa. Também não faltam cursos para aperfeiçoar-se nesta competência. Não, o e-mail não pode dispensar essas “formalidades” de uma boa redação, com um bom português. Elas costumam ser a fonte dos mal-entendidos ou, pelo menos, da deterioração de sua imagem pessoal.

B: Quando você estiver com raiva, com aquele espírito de vingança mortal, pronto para dar aquela resposta merecida a um e-mail malicioso e agressivo que acabou de receber, com cópia para o presidente da empresa, antes de dispará-lo, imprima o rascunho de seu contra-ataque e reflita. Volte ao tempo e imagine-se saindo para comprar o papel de carta, o envelope e os selos, pegando fila no Correio, etc. Calcule o tempo que isso levaria, então deixe seu rascunho de lado, durante este tempo ao menos. Depois, de preferência no dia seguinte, releia seu revide e coloque-se no lugar de todos que o lerão. Faça o teste: “Eu diria olho no olho, com todas as testemunhas copiadas, o mesmo que escrevi, da mesma forma implícita em minha comunicação escrita?” Pode ser que você ainda dê o “Enviar” irreversível, mas terá se dado a chance de considerar alternativas de intenções mais elevadas do que da agressão recebida. Cuidado com a “incontinência digital”!

3. Comunicação eficiente é aquela que chega a quem precisa dela

A: A tentação de mandarmos aquela mensagem super bem cuidada em forma e conteúdo, com suas maiores realizações, para toda a empresa pode ser muito grande. A literatura epidêmica de autoajuda traz tantos incentivos à autopromoção que o critério de seleção de quem de fato precisa daquela mensagem fica elástico demais. “O pessoal do malote da filial de Manaus deveria saber disso!” Pronto! Você encharcou as Caixas de Entrada das pessoas que vão ficar pensando: “O que é que eu tenho a ver com isso?” E pior, numa próxima mensagem sua, vão pensar duas vezes em abri-la, e logo passarão a deletá-las sem ler. Uma regra básica de qualquer comunicação é considerar a audiência a quem se destina. Não menospreze sua importância.

B: Do outro lado, cuidado também para não entrar no fogo cruzado de e-mails e assuntos que não lhe dizem respeito diretamente. Lembre-se que também existem “balas perdidas” nas empresas. Se você se sentir atacado indiretamente, se perceber que podem estar tentando cooptá-lo a uma causa da qual não partilha, ou simplesmente, se notar que esperam sua gasolina para aumentar a fogueira, faça de conta que não é com você e espere dirigirem-se diretamente a você e não por cópia.

C: Fique alerta também às ditas Cópias Ocultas – a probabilidade de que seu conhecimento oculto ser revelado rapidamente é muito maior do que parece. Por último, se você não conhece ainda o recurso de eliminar os e-mails prévios àquele que está respondendo, procure descobrir. Quando indispensável, copie apenas o último e delete todas as incontáveis mensagens que o precederam – quebre essa corrente do mal ou de desperdício de tempo!

Os atuais meios de comunicação proporcionados pela Internet: e-mail, Skype, What’sUp, Facebooks, Twitters e outros, podem ser maravilhosos para aproximar e unir as pessoas, ou satânicos para colocá-las em duelos mortais, dependendo, principalmente, da intenção que se tem. Com boas intenções já precisamos cuidar de muitas coisas para que a comunicação chegue a seu destino com o significado desejado. Entretanto, quando as intenções são malévolas, não há tecnologia ou habilidade escrita, que possa evitar o desastre, mais cedo ou mais tarde. Cuidado então para a vítima não ser você!

Com Vya Estelar

Não faça de seu e-mail uma arma...a vítima pode ser você!
Leia Mais

Quando vale a pena estudar e trabalhar no exterior?

“Tenho 28 anos e quase sete anos de experiência profissional. Porém, estou com algumas dúvidas sobre que caminho seguir, pois tenho muita vontade de fazer mestrado profissional no exterior (ainda não tenho nada em vista, mas gostaria de me aplicar para algum curso e tenho condições de pagar), pois sempre tive vontade de ter uma experiência no exterior e por algumas escolhas que fiz, acabei não fazendo um intercâmbio na época da faculdade. Ao mesmo tempo, não sei se essa seria a escolha certa: largar tudo e ter essa experiência que também enriqueceria o meu currículo. Além disso, se surgisse a oportunidade, gostaria de morar um tempo no exterior trabalhando na minha área – sou formada em administração e pós-graduada em Inteligência Estratégica e Competitiva. Será que devo seguir esse meu desejo de estudar e trabalhar no exterior o tempo que for, e depois, se eu voltar ao Brasil, tentar me recolocar no mercado de trabalho? Ou devo continuar aqui e fazer um mestrado profissional no Brasil? Fico no aguardo da sua opinião. Grata”

Roberto Santos, sócio-diretor e fundador da Ateliê RH, responde:

De fato, dilemas sobre caminhos a seguir na carreira são mais comuns – alguns mais simples e outros mais complexos, mas todos são subjetivos demais para se fazer uma avaliação objetiva, isto é, para quem o está vivendo, o dilema é sempre difícil.

Dilemas são complicados porque não são como problemas que solucionamos quando encontramos sua causa. Os problemas são desvios de algo que deveria acontecer e não acontece – algo mudou nas condições que criam o desvio que chamamos de problema. Se encontramos a causa-raiz que provocou a mudança e a reparamos, o desvio se corrige e deixa de ser um problema. Dilemas são diferentes, pois não há uma solução única; temos caminhos alternativos que carregam seu prós e contras, quando optamos por ‘A’, conseguimos seus benefícios, mas também suas desvantagens e daí mudamos para o caminho ‘B’ para descobrir suas vantagens, mas teremos que conviver com seus efeitos colaterais.

Em seu dilema você tem equacionadas as variáveis de uma equação semelhante. Ao partir para uma experiência de trabalho e acadêmica no exterior você “enriqueceria seu currículo”, além de realizar um sonho que está adormecido desde os tempos da faculdade. Por outro lado, nesta hipótese, você teria que “largar tudo e ter esta experiência” e sua carreira profissional ficaria “congelada”. Você tem até uma solução intermediária (paliativa?) de reforçar seu CV com um mestrado profissional no Brasil. A solução para o dilema está apenas dentro de você – suas motivações, sonhos, aspirações devem ter uma voz ativa nesta discussão, pois são os elementos que devem ser pesados na equação.

Do lado positivo, você é jovem, tem os recursos para a viagem e curso no exterior, tem esse sonho adiado, o mercado valoriza experiência e cursos no exterior. Do lado negativo, você perderá os lances emocionantes da política brasileira e talvez alguma oportunidade de promoção onde trabalha, o convívio com amigos e familiares – largar tudo? Excetuando-se o terceiro fator, o tudo parece pouco diante dos pontos positivos, não? Eu costumo sugerir um “zoom-out” de sua carreira/vida – como olhá-la com o binóculo ao contrário. Nesta imagem, você está com 45 anos – aonde poderá ter chegado com o caminho “A” ou “B”? Nenhum esforço local, chefe legal, projeto interessante, ou mestrado profissional local… poderá substituir o que a realização de um sonho poderá lhe trazer – isso, sem contar com as vantagens objetivas de um carimbo no passaporte e no CV, com experiência profissional e acadêmica de sucesso nesta fase de sua carreira.

Como fica seu dilema quando você introduz a variável SONHO?

Quando vale a pena estudar e trabalhar no exterior?
Leia Mais

Como os tímidos podem sobreviver aos bajuladores no trabalho?

Por Roberto Santos

Somos todos diferentes quanto a uma infindável lista de necessidades, motivações, características e reações às situações. Isso é o que torna cada um de nós um ser único e especial. Isso é também o que torna o relacionamento interpessoal tão desafiante – às vezes duro e outras, estimulante pelo potencial que a sinergia das diferenças produz.

Dentre essas diferenças estão o quanto queremos pertencer a grupos, ser aceitos pelos outros e, principalmente, ter nossos comportamentos, escolhas e propostas aprovados pelos outros – mais ainda quando esses outros são as figuras de autoridade de quem nosso futuro depende, ou que assim pensamos.

Quando isso não está claro para nós e para os demais, os comportamentos de se aproximar das pessoas com frequência, perguntar-lhes o que acham de tudo que fazemos e dar claras demonstrações de que a queremos satisfeitas, pode ser interpretado como “puxa-saquismo” ou insegurança para a tomada de decisões com autonomia. Nenhuma dessas opções é muito agradável de se ter como reputação numa organização.

O dilema de quanto devemos nos manter distantes ou próximos dos chefes, costuma aparecer quando vemos colegas que logo se apropriam de qualquer instante que o chefe se descuida e se mostra disponível – entre uma ligação e outra, quando está entrando no carro, a caminho do banheiro etc.

Aquele que chamamos de bajulador de plantão sai de sua tocaia para elogiar a gravata do patrão, oferecer-lhe café e desejar-lhe saúde mesmo antes de espirrar. Quando esse chefe é afeito a esse tipo de comportamento, logo é conquistado pelas gentilezas daquele que passa a ser seu favorito. Independente dos méritos de seu desempenho, o colega nessa condição regride na escala das espécies e se torna um simples “peixinho” no aquário do chefe.

Então questionamos sobre o valor de nosso esforço, dedicação, horas extras a fio para preparar o melhor trabalho da história do departamento quando tudo parece se resumir à intimidade do colega que frequenta a churrasqueira da casa do gerente, divide a mesa no refeitório e passa vários momentos do dia fechado em sua sala. Assim sobrevêm vários daqueles pecados capitais – a Ira e a Inveja em destaque.

Onde estará a razão? Todos temos que fazer uso do mesmo corrimão do chefe para uma ascensão bem-sucedida na empresa?

Quem leu outros textos que escrevi, já deve conhecer que não há respostas simples quando se trata de seres humanos e seus relacionamentos. Nosso amigo, ou amiga, que preza da intimidade do chefe em happy-hours, almoços e festas da empresa, pode ser extremamente competente naquilo que faz e, justamente por isso, seu chefe o quer bem perto dele. É duro acreditar nessa hipótese, não? Mas ela pode ser verdadeira…

O aparente bajulador pode sim ter suas limitações quanto à segurança pessoal e precisa da confirmação e reconhecimento sobre suas ideias, decisões e propostas. Nesse caso, a pessoa não tem um alvo único – o chefe, mas pede a opinião de todos, inclusive a “tia” do cafezinho. Ajudar esses colegas pode valer de uma gratidão especial que nos valoriza como desenvolvedor de pessoas.

E todos os chefes são iguais e adoram ser bajulados?

Novamente, as coisas não são tão simples. Dependendo também da necessidade de reconhecimento e de suas inseguranças, o chefe pode ser encantado pelo canto das sereias aduladoras que dele se aproximam. Entretanto, há também os chefes desconfiados até da sua própria sombra que investigarão o tempo inteiro uma segunda intenção que existiria por trás daqueles comportamentos. Nesses casos, o puxa-saco pode estar com seus dias contados, pois com ou sem culpa no cartório, ele será julgado e sentenciado a uma sentença de anos na geladeira ou desligamento da tomada da Folha de Pagamento.

Então o negócio é ficar no meu canto e só falar quando o chefe fizer uma pergunta?

Aquelas pessoas de pouca ambição e muita introversão costumam atribuir, na alcova das rodinhas de café, os piores adjetivos àqueles que, segundo elas, se autopromovem o tempo inteiro, lançando os mais elaborados fogos de artifício a cada relatório mensal padrão que entregam ao chefe – são os “gargantas”, os que não se acham mas que se têm certeza, os metidos a besta, e assim por diante.

Em sua timidez e em sua incapacidade de tomar uma iniciativa mais audaz, ou de tomar a palavra para tratar de assunto controverso numa reunião importante, esse outro personagem justifica-se criticando o diferente de si mesmo. Provavelmente, ele verá vários colegas metidos e puxa-sacos serem promovidos à sua frente.

Essa pessoa tem duas alternativas para sua carreira: passar sua vida criticando e se lamuriando sobre os colegas promovidos e a injustiça corporativa ou procurar aprender com eles, esforçando-se a se expor com mais assertividade, dispondo-se a apresentar propostas envolvendo certos riscos e desafiando abertamente a autoridade e o status quo quando estiver seguro de seus valores e razões. Qual é a alternativa que você vai escolher?

Com Vya Estelar

Leia Mais

A felicidade no trabalho

“Desejo, necessidade, vontade… A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte… A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade…” Esse sucesso do começo da carreira dos Titãs retrata o tema que há muitos séculos povoa às mentes de pensadores, artistas, políticos e pessoas comuns como você e eu – a busca da felicidade.

Livros e mais livros de autoajuda entopem as prateleiras de livrarias e bibliotecas reais e virtuais; palestras motivacionais se multiplicam em palcos empresariais para acenar com a possível realização de nossos sonhos e esperanças. Enriquecem autores e palestrantes, fagulhas de motivação acendem os espíritos e mentes dos leitores e espectadores para logo se apagarem diante da dura realidade da rotina que engole os planos de mudanças de vida.

Utopia ou realidade, a busca da felicidade é como um combustível que nos move diariamente a fazer o que fazemos na tentativa ou esperança de alcançá-la. Há alguns anos, algumas notícias que circularam sobre este tema, me chamaram a atenção.

Uma delas, foi o projeto emenda constitucional de Cristovam Buarque, em uníssono com o Movimento Mais Feliz, que visava rever a redação do artigo sexto da Constituição Brasileira, para incluir a felicidade: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer a segurança, a previdência social,  a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados.”

Numa primeira leitura destes direitos sociais todos, almejados por nossa Carta Magna, passa a impressão de que sendo atendidos integralmente, teríamos finalmente atingido a tão sonhada felicidade. Será verdade? Não seriam elas, condições necessárias mas não suficientes? Afinal, será que o mesmo tipo de alimentação, de trabalho, de moradia que satisfaz a seu vizinho, também o fará feliz? Provavelmente, não. Essa tal felicidade parece ser por demais subjetiva e, por consequência, complexa para se obter respostas simples.

Outra notícia que voltou à mídia recentemente é sobre o “Índice de Felicidade” que o Governo Britânico está querendo criar seu indicador, assim como Canadá, França e o Butão já criaram o seu. Este pequeno país Asiático e budista foi o primeiro a falar, em 1972, no conceito e índice de “Felicidade Nacional Bruta” (FNB). O rei Jigme Singye Wangchuck que abriu o Butão à modernidade, desenvolveu este indicador que mede a qualidade de vida ou progresso social em termos mais holísticos e psicológicos do que o “Produto Interno Bruto” que ainda é o índice predominante para avaliar as riquezas dos países.

Entretanto, como muitos indicadores psicológicos e sociais, a “FNB” é mais fácil se descrever do que defini-la com precisão matemática como o “PIB” que já existe há muito mais tempo. Os pilares da FNB são bastante genéricos, e como tal, facilmente transportáveis para diferentes culturas. São quatro este pilares: a promoção do desenvolvimento sustentável, a preservação e promoção de valores culturais, a conservação do meio ambiente natural e o estabelecimento de boa governança.

O que o Governo Britânico estava querendo perguntar à sua população era “O que faz você feliz —  Dinheiro, emprego, saúde, bons relacionamentos, sensação de segurança, atividades culturais?… Com base nas respostas do que é importante para as pessoas, pretendem criar um índice que será acompanhado e divulgado junto ao PIB. Assim, será possível saber se o britânico está mais rico ou mais pobre, e também se está mais ou menos feliz, e até que ponto uma coisa influencia a outra.

As duas notícias mencionadas são apenas ecos com tons um pouco diferentes de vozes anteriores perguntando o que nos motiva, o que queremos, o que valorizamos, para a busca da tão sonhada felicidade.

Os seres humanos, segundo a Teoria Socioanalítica, de Robert Hogan, vivem em grupos que têm hierarquias (como escolas, igreja, exército, empresas, etc.) e buscam, ao longo do desenvolvimento da espécie, atender três grandes motivadores essenciais: (1) de serem aceitos para pertencer aos grupos que lhes são importantes, isto é, “dar-se bem” com os outros, (2) de se destacarem naquelas hierarquias, ou seja, “se dar bem” na carreira por exemplo, e, num nível mais elevado de necessidade, (3) encontrar um significado para a vida, geralmente, pela via espiritual da religião e outras formas de resposta. Esta última necessidade é aquela que nos diferencia daqueles primos que ainda andam sobre quatro patas, os primatas.

Ao longo de 80 anos de estudos, vários autores propuseram suas taxonomias ou classificações de motivações e valores. A Pirâmide de Maslow está entre as mais famosas – na base, as necessidades fisiológicas, seguidas das de segurança, depois as sociais, de autoestima e por último as de autorealização. Em linhas gerais, uma necessidade só é motivadora quando não está atendida e por isso, move o indivíduo a buscar seu atendimento. Dessa maneira, seria muito difícil, falar em motivar alguém com uma oportunidade de fazer um curso de pós-graduação na Europa, se a pessoa está morrendo de frio e fome.

A pergunta polêmica que fiz a um grupo de executivos certa vez: “Dinheiro motiva?” pode suscitar uma resposta impulsiva do tipo “claro…” Porém, quem já não viveu a situação de estar trabalhando num ambiente terrível, em que precisa-se de velcro nas solas dos sapatos para não cairmos quando o tapete nos é puxado e que reportamos a um chefe-mala-sem-alça e tóxico? Qual seria o efeito motivador de um polpudo aumento de salário?, ou por quanto tempo ele teria efeito? Provavelmente, depois de uns dois meses que os reais adicionais encontrassem seu destino com novas contas, sobreviriam as dores do ambiente e chefe perversos. Ou seja, a remuneração injusta e incompatível com nossas competências e contribuições pode ser desmotivadora, mas apenas ganhar mais e mais não motiva ninguém.

Sem dúvida, os aspectos que Frederick Herzberg chamava de “higiênicos” como as condições físicas de trabalho são importantes e felizmente nos últimos 50 anos progrediram significativamente na maioria das empresas e países. Por isso, as condições de trabalho sociais passaram a ganhar destaque. Nos anos 90, começamos a encontrar uma crescente preocupação com o clima organizacional ou o moral das equipes que aos poucos se concretizaram por pesquisas e listas das “Melhores Empresas para se Trabalhar”, como a primeira delas, publicada em 1997 pela Exame.

Mais recentemente, estas mesmas pesquisas passaram a divulgar as empresas nesta lista baseadas em um Índice de Felicidade no Trabalho – composto por  um Índice de Qualidade do Ambiente de Trabalho na base de 70% formado pelas opiniões dos empregados sobre  a empresa (Satisfação, Motivação, Liderança, Aprendizado e Identidade) e os 30% restantes baseados no Índice de Qualidade de Gestão de Pessoas ou “o que a empresa oferece a seus empregados”. Interessante mencionar que deste total, apenas 10% são impactados pelas políticas e práticas de remuneração.

Assim, Felicidade passou a fazer parte da agenda do “Board” ou Comitê Executivo das empresas. Isso não significa que derramou-se uma chuva altruísta sobre o mundo corporativo darwiniano de “Lobos de Wall Street” que passou a visar a plena felicidade de seus empregados. Ao contrário, a lógica do mundo empresarial continua fria e passou a analisar números e mais números, de evidências e evidências de que as empresas de melhores resultados (medidos por resultados nas bolsas e no “bottom line” apresentavam uma correlação intrigante com o índice de satisfação ou engajamento de seu pessoal, ou com no novo jargão, com um Índice de Felicidade no Trabalho superior. Logo, os Diretores de RH foram convocados para fazer sua mágica e “shazan” – crie-se a felicidade instantânea em todos os departamentos e escalões. A frustração de CEOs deve ter custado o emprego de alguns RHs. Mas a verdade é essa “felicidade não se compra” ou não se decreta ou se encomenda.

É verdade que o aumento da felicidade dos empregados contribui para a redução do estresse – este não é resultado de se trabalhar demais, mas de se sentir mal no trabalho que temos. É verdade também que aumentando a felicidade no ambiente de trabalho, a rotatividade e o absenteísmo tendem a cair drasticamente. Mas a felicidade no ambiente de trabalho precisa ser conquistada no dia a dia pela gestão e os empregados juntos – é um esforço intenso e de longo prazo.

De parte da Gestão, esta transformação começa com uma revisão autêntica do paradigma de que as pessoas são preguiçosas e só buscam ganhar seu salário, fazendo o mínimo possível. O ser humano normal tem a realização no trabalho como um dos três fatores mais importantes para sua felicidade – e pouco tem a ver com o tamanho do cheque no final do mês.

Alguns elementos importantes que podem ser fontes motivacionais que podem resultar em felicidade são:

  • a autonomia para executar o trabalho e tomar decisões compatíveis com o nível de maturidade e experiência de cada um
  • a oportunidade de aprendizado e desenvolvimento contínuos, não apenas por cursos e treinamento formal, mas também por coaching dos superiores e pela oportunidade de se envolver em projetos desafiadores
  • o sentimento de que se está progredindo no trabalho realizado e na carreira – ninguém tem prazer em ser improdutivo ou se envolver em trabalhos que não levam a nada e são abandonados sem qualquer aviso
  • a qualidade do ambiente de trabalho, emocionalmente saudável, em que o relacionamento entre colegas é baseado no espírito colaborativo de respeito mútuo e
  • a conexão com uma visão de futuro que faça sentido de algo maior que engaje as pessoas para além das tarefas cotidianas.

 

Pelo “Princípio da Profecia Autorrealizável” ou do “Efeito Pigmaleão”, os gestores que acreditam no paradigma de funcionários como sendo essencialmente preguiçosos e desleais, podem acabar conseguindo o que atraem por sua forma de pensar e se relacionar com as pessoas. Aquele gestor que acredita que sua equipe busca a felicidade no trabalho por meio de elementos como os descritos acima, provavelmente vai fazer sua parte para viabilizar as condições que favoreçam a “mágica” da felicidade.

Pelo viés negativo é conhecida a máxima que diz que as pessoas não deixam as empresas, elas deixam os chefes. De fato, o principal fator para a rotatividade derivada da insatisfação no trabalho é relacionada à gestão. Por este motivo, o psicólogo americano, Dr. Robert Hogan, vem advertindo para repulsa de muitos de que o nível de incompetências gerencial está entre 50 e 65%. Não se pretende execrar os gestores e colocá-los no banco dos réus sozinhos, mas muitos deles seriam incensados como grandes líderes se apenas conseguissem:

  • Traçar uma visão de futuro que seja significativa e que seja comunicada de forma autenticamente inspiradora e motivadora – algo que as pessoas acreditem que poderão contribuir para alcançar
  • Compartilhar informações em bases contínuas sobre a organização, sua estratégia, seus resultados – nos dias bons e maus, a concorrência, etc como se faz com parceiros ou sócios com os quais contamos
  • Prover aos funcionários com autonomia e oportunidade de participar de decisões compatíveis com seu nível de maturidade
  • Promover um ambiente baseado na integridade, sem favoritismos ou critérios obscuros para movimentações e onde se reconheça e recompense o relacionamento respeitoso e cooperativo entre todos
  • Fornecer feedback e estar aberto para recebê-lo quando as coisas vão bem e quando não vão como esperado – acima de tudo: ouvir genuína e ativamente.

 

Recentemente, algumas empresas estrangeiras começaram a criar em seus organogramas, a figura do “Chief Happiness Officer” (CHO) – assim como temos o CEO (Chief Executive Officer) ou o presidente, o CHO ou VP da Felicidade seria o responsável pela “felicidade” da empresa. Assim como o VP de Mudanças ou o VP de Inovação não sobrevivem por muito tempo. Assim como estes, o VP da Felicidade pode não se sustentar pois personalizar mudança, inovação e felicidade em um cargo e uma pessoa não me parece ser sustentável, lembrando a definição e a receita do maestro soberano – Tom Jobim: “A felicidade é como a pluma, que o vento vai levando pelo ar; voa tão leve, mas tem a vida breve; precisa que haja vento sem parar…”. O vento, neste caso, é a energia criada por todos membros da organização, soprando na mesma direção, de resultados significativos para a organização e para seus membros que se orgulham deles.

Por Roberto Affonso Santos
Sócio-Diretor da consultoria Ateliê RH – Desenvolvimento Humano e Organizacional
www.atelie-rh.com.br

Leia Mais

É possível almejar ao mesmo tempo uma carreira de sucesso e qualidade de vida?

“Nossas decisões são, na realidade, frutos de nossas personalidades, necessidades e motivações.”

“Sou uma jovem profissional em conflito, pois tenho hoje dois interesses diametralmente opostos: possuir qualidade de vida, tempo para a família, cursos, viagens, exercícios, enfim, tempo para mim. Por outro lado, ambiciono uma carreira executiva, sentir prazer e realização no trabalho, vencer desafios e crescer em grandes empresas. Hoje, tenho convicção de que não é possível alinhar perfeitamente os dois aspectos, e precisaria eleger um em detrimento do outro. Como faço para escolher que lado seguir? Meu coração insiste em buscar ambos.”

Roberto Santos, sócio-diretor e fundador da Ateliê RH, responde:

Você não parece ter um problema, mas um paradoxo… Sei que essa afirmação não atende a seus anseios sobre respostas, mas essa é a realidade. Se você tivesse um problema, seria “só” encontrar a causa e eliminá-la e você não teria mais o problema. Porém, em conflitos como o seu, vemos soluções nos dois lados. O paradoxo de qual caminho escolher entre “apostar e investir em minha Vida Profissional ou na Vida Pessoal (família, lazer, amigos, saúde etc)” é bem típico.

Quando de fato pensamos ou agimos numa ou noutra direção, nos deparamos com o paradoxo: “dedico 10 a 12 horas por dia e meus finais de semana à empresa para apresentar resultados que poderão (ou não) receber escasso reconhecimento superior e deixo de lado academias e baladas ou aquela super-praia do feriado-ponte?” Ou pelo caminho inverso: “decido cuidar de minha saúde, amigos, família, fazer cursos de extensão, enquanto vejo meus colegas sendo elogiados pelo chefe, chamados para reuniões no andar do Olimpo e começo a sentir que minha chance de promoções pode passar e posso até ser colocado em banho-maria porque parece que não estou mais tão comprometida?”.

Nossas decisões são, na realidade, frutos de nossas personalidades, necessidades e motivações. Tomar consciência profunda e completa disso, pode ser a chave não do problema, mas de nossa capacidade de administrar este paradoxo, de forma a conseguirmos conviver melhor com sua insolubilidade. Alguns de nós temos uma maior necessidade de poder e reconhecimento e somos motivados pelos valores tradicionais de trabalho duro e árduo, como a base de nossas preferências. Estes conviverão muito melhor com um peso maior para o lado da Vida Profissional, especialmente, quando seus comportamentos são orientados por uma reputação prudente e ambiciosa que reforçam sua ‘dedicação total a você’ ou melhor, a ‘eles’.

Outras pessoas, igualmente inteligentes e mentalmente sadias, necessitam de constante interação com pessoas, de preferência em reuniões sociais divertidas, com um bom bate-papo, cervejinhas e música. Para esses, o trabalho é um meio para se obter aqueles frutos do sucesso, não um fim em si mesmo. Mais impactante ainda quando essas pessoas são extrovertidas e focadas em seus relacionamentos, preocupando-se em satisfazer as necessidades e expectativas daqueles que amam. São pessoas geralmente tranquilas e satisfeitas com o que têm. Para essas, o pêndulo puxa mais para o lado da Vida Pessoal e Familiar.

Enfim, o paradoxo, ou dilema atroz para alguns, torna-se insuportável quando queremos forçar nosso estilo de vida na direção contrária à natureza de nossas motivações e de nossa personalidade.

Infelizmente, aqui não se aplica o slogan famoso do cartão de crédito – cada opção tem sim seu preço. Depende de decidirmos quanto estamos dispostos a pagar e o preço será menor se estivermos buscando continuamente nosso autoconhecimento.

Com Vyaestelar

Leia Mais