Será que existe um perfil ideal de coach?

O coaching é uma ciência, mas também é uma arte. Independentemente da abordagem, paradigma ou método utilizado, o coaching exige um forte grau de inferência humana; estabelecendo uma conexão psicológica significativa e contribuindo não apenas com dados e teoria, mas também com experiência pessoal.

No entanto, as tentativas para avaliar a eficácia das intervenções de coaching são geralmente centradas no método, incluindo a formação ou o histórico do coach. Esses estudos de eficácia são, sem dúvida, úteis, e providenciam informações valiosas para aumentar a força das intervenções de coaching. Ao mesmo tempo, é ingênua a suposição de que a mesma metodologia é igualmente efetiva mesmo se for aplicada por diferentes profissionais. Além disso, existem algumas qualidades pessoais que tornam alguns coaches mais eficazes do que outros, independentemente do método ou abordagem que utilizam, e não importando o nível de experiência no mercado.

Um fator determinante para a eficiência do coach é a sua própria personalidade. Pesquisas acadêmicas independentes ainda não exploraram profundamente essa questão, mas há três razões principais para acreditar no efeito da personalidade – os padrões específicos de comportamento, pensamento e emoção expressados pelo coach – no resultado da sessão com o coaching.

Primeiro, a personalidade afeta o desempenho no trabalho e o sucesso da carreira em qualquer profissão, em todas as culturas e em todas as idades e experiências. A razão para isso é óbvia: a personalidade determina a reputação de uma pessoa (como é vista pelos outros, incluindo clientes), bem como os ingredientes primários para conduzir a uma carreira de sucesso (por exemplo, quão gratificante é lidar com pessoas capazes e dispostas). E quando o trabalho exige um alto grau de contato interpessoal, a importância da personalidade é exacerbada – é por isso que bibliotecários, desenvolvedores de software e acadêmicos dependem menos de sua própria personalidade para obter sucesso, ao contrário de coaches e consultores.

Em segundo lugar, o coaching requer empatia – a capacidade para compreender e sentir o que os outros estão pensando e sentindo – e a empatia é, em essência, um componente da personalidade. Alguns a consideram uma combinação de sensibilidade interpessoal e altruísmo, mas também é um dos principais elementos da inteligência emocional (EQ). É, de fato, concebível que os indivíduos com Consciente Emocional alto sejam designados a atuar como coaches informais ou disfarçados em qualquer ambiente de trabalho, mesmo quando eles não tenham consciência disso. O fato de ser uma força de estabilização entre os pares, colegas e especialmente subordinados, contribui para que as pessoas com EQ alto ajudem a melhorar o desempenho de outras pessoas no trabalho e tornem os indivíduos e equipes mais eficientes.

Em terceiro lugar, qualquer relação entre pessoas é profundamente afetada por seus valores e atitudes – em parte, determinados pela sua personalidade. Assim como em relacionamentos românticos, uma relação entre coach e cliente é, portanto, dependente do nível de compatibilidade dos seus valores – as crenças fundamentais sobre o que é certo e o que é errado, interesses e paixões comuns, maneiras de encontrar significado no mundo e interpretação da realidade. Assim, é possível que alguns clientes rejeitem certos coaches, mesmo quando são extremamente experientes e têm uma grande personalidade, apenas porque os seus valores ou atitudes entram em conflito.

Com International Coach Federation