Roberto Santos responde: “O que me prende na empresa é a grana, não aguento mais. O que faço?”

“Trabalho com eventos há mais de 10 anos. Tenho 35 anos. Neste último emprego estou há pelo menos 5 anos. Trabalho na parte comercial da empresa com uma cartela de mais de 200 clientes anuais. Tudo que consegui na vida foi no ramo de eventos. Tenho casa própria, carro, curso superior em outra área que não atuo etc. O que me prende na empresa é a grana, só que não estou aguentando mais. Estou muito triste, totalmente desmotivado com a nova gestão da empresa. Gostaria de abrir um próprio negócio e não sei em que ramo. O que eu faço?”

Primeiramente, você não está sozinho nesses dilemas de não estar feliz na área que lhe rende o sustento bem-sucedido e em querer partir para um negócio próprio sem saber muito bem qual. Antes até de abordar estes pontos, gostaria enfatizar que você precisa se orgulhar de ter encontrado uma atividade em que sua competência lhe permitiu conseguir um sucesso comprovado pelo número de clientes e pelo patrimônio que pôde conquistar.

Infelizmente, a sustentabilidade de uma carreira não se esgota nesses aspectos de sucesso material. Nossa motivação sustentável na vida se dá mais por fatores intrínsecos como a satisfação com o trabalho que realizamos do que os extrínsecos com sua remuneração e reconhecimento externo – que têm efeitos menos duradouros.

Tristeza e desmotivação: indicadores de esgotamento

Sua tristeza e desmotivação são indicadores do esgotamento que sua atividade com eventos deve estar tendo sobre sua realização profissional e pessoal.

Antes, porém de fazer quaisquer sugestões, é importante que você reflita sobre alguns pontos que não estão claros em sua consulta.

Existem elementos da empresa em que você está empregado que estão provocando a insatisfação, como a condição e o ambiente de trabalho, a política de remuneração e reconhecimento, seu gestor etc?

Ou, de fato, é a natureza do trabalho propriamente dita que deixou de ser motivadora?

Definir isso é crítico para pensar nos próximos passos. Assumindo que seja o trabalho em si, você afirma que fez um curso superior em outra área na qual não atua. Essa área é aquela que faria trazer o brilho de volta para seus olhos ou já ficou no passado e não o motiva no presente. Essa reflexão é importante, pois essa área pode ser a indicação do ramo no qual você poderia buscar seu negócio próprio.

Em respostas anteriores e em artigo aqui no Vya Estelar na coluna de Gestão Pessoal, abordo o Empreendedorismo e recomendo sua leitura para saber se esta é a saída para você – veja aqui.

Tripé da decisão

Caso já tenha se decidido pela carreira solo, pergunte-se considerando o tripé:

1º) O que mais gosto de fazer?

2º) Onde minha estrela brilha (quais são minhas maiores competências)?

3º) Como estão as oportunidades no mercado que estou considerando?

Para ser uma decisão sustentável de transição de carreira, estes três pontos devem estar bem atendidos. Refletir sobre estes pontos, enquanto se mantém no emprego que lhe traz seu sustento é o mais recomendável, sem adiar esta reflexão e ação, pois a desmotivação e tristeza aumentando podem prejudicar a movimentação e decisão futuras. Boa sorte!