Quer crescer na carreira? Então mantenha uma boa reputação

Muita gente acha que para ter uma carreira de sucesso basta ter um bom Currículo e uma excelente rede de relacionamentos e acreditar em si mesmo. Embora esses aspectos sejam importantes, cuidar da reputação é a via mais garantida para ter sucesso na carreira no longo prazo – embora ela ainda seja vista como algo secundário e sem importância para o crescimento profissional. O CEO da Hogan Assessments, Tomas Chamorro-Premuzic, lista quatro fatos amargos que você precisa aprender para trabalhar a sua reputação de maneira positiva. Veja:

Provavelmente, sua reputação não é a mesma que você acha que tem

Muitas pessoas desconhecem totalmente sua reputação, principalmente porque não dão qualquer importância sobre o que os outros pensam sobre elas. A convergência entre sua autoavaliação e aquela que outras pessoas fazem de você, geralmente é limitada, enquanto que a convergência entre os demais avaliadores é maior. De qualquer maneira, profissionais de alto potencial tendem a ter mais consciência sobre sua reputação, o que sugere que conhecer o que as pessoas pensam sobre você compensa. Historicamente, tendemos a pensar no autoconhecimento como uma introspecção profunda e uma busca metafísica para revelar o seu eu verdadeiro. Uma visão mais pragmática e racional do autoconhecimento pode ser definida como a capacidade de entender como outros nos veem. Em outras palavras, é ter autoconsciência de como nosso comportamento impacta outros, o que faz com que o autoconhecimento seja essencial para o conhecimento que os outros têm de nós, ou seja, o  interpessoal ter mais valor do que o intrapessoal.

Talvez você não esteja tão interessado na sua reputação

A maioria das pessoas está apenas parcialmente interessada na sua reputação – ou seja, essas pessoas adoram ouvir sobre suas qualidades, mas são habilidosas em ignorar o seu lado mais sombrio. De fato, a capacidade humana para o autoengano não tem concorrência. Nossos cérebros são equipados com um mecanismo que filtra fatos desagradáveis, enquanto exagera até o elogio mais simples que se recebe. Somos a nossa melhor máquina de propaganda, mas só porque somos a nossa principal audiência. Por isso, você reluta em procurar feedback das pessoas que o criticam. E é por isso que você adora ficar com a sua família, colegas de trabalho e amigos: eles validam a sua visão de mundo, ao aderir a uma versão muito positiva da sua reputação, até melhor do que a versão que você gostaria de ver de si mesmo. Isso não significa que eles estão sendo genuínos, mas ao menos eles gostam de você o bastante para fingir que você é incrível.

Mudar requer tempo e esforço

As pessoas são rápidas em formar uma avaliação sobre a nossa reputação, e levam muito tempo e esforço para mudar essa concepção inicial. Como se diz, nem sempre temos uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão nas pessoas. E, uma vez que a nossa reputação esteja solidificada na mente dos outros, precisamos de muita dedicação e persistência para criar uma nova reputação, e os restos da nossa “antiga reputação” ainda vão permanecer. Considere o caso de Bill Gates, que foi excepcionalmente eficiente em reconstruir a sua reputação (e a sua persona pública) através dos anos. Ele começou sua meteórica carreira como um dos primeiros e mais famosos casos de um “geek” que largou a universidade para se tornar um empreendedor da área de tecnologia. Apesar de sua imagem inicial de  um “nerd inocente”, ele transformou sua reputação na do homem de negócios, capaz de toda a sorte de artifícios para derrubar a concorrência e preservar o monopólio que o tornou o homem mais rico do mundo. Infeliz com a sua reputação, na última década Gates fez todos os esforços para limpar sua imagem negativa, e se tornou o maior filantropo do mundo – o que não foi suficiente para apagar algumas cicatrizes em sua reputação.

Da mesma forma, várias empresas pagam caro pelos fiascos de sua reputação porque não há responsabilidade social corporativa ou trabalho de caridade suficientes para encobrir comportamentos passados – a menos que eles não sejam encontrados. Ainda que seja difícil mudar uma reputação ruim, até mesmo a melhor reputação pode ser arruinada em um piscar de olhos – pense em Tiger Woods ou Lance Armstrong. Como Warren Buffet, amigo de Bill Gates, pontuou: “Leva-se 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para destruí-la. Se você pensar nisso, fará as coisas de maneira diferente”.

Reputação é a melhor forma de medir o seu talento

A reputação é a “moeda de troca” para o talento, começando das competências que você anuncia no seu perfil do LinkedIn, ao número de pessoas que percebe você como capaz, e a sua carreira pública, é como as pessoas percebem o seu talento. E, com a exceção de uma minoria de candidatos que podem ser descritos como “pedras brutas”, ou talentos não descobertos, você tem menos talento do que realmente pensa ter. É claro que ser mais talentoso do que outros pensam sobre você é algo inútil, a menos que você consiga persuadir os outros de que estão errados.  Então a sua reputação é, definitivamente, a medida do seu talento, bem como o maior limitador do seu potencial.

A boa notícia é que, quando você tem consciência da sua reputação, você consegue moldar seu potencial, encontrando o nicho certo para trabalhar em que poderá transformar a sua reputação em um ativo para realizar seu potencial. A reputação é um reflexo da sua personalidade – como outros a percebem—e talento é unir a sua personalidade aos valores e cultura organizacionais certos. Encontrar um trabalho que se encaixe nos seus hábitos naturais e tendências comportamentais –um que exija as qualidades que outras pensam que você tem—trará, certamente, o sucesso.