Para que serve a inteligência emocional e como aumentá-la

Dentre os vários ingredientes de uma carreira de sucesso, poucas qualidades têm recebido tanta atenção nas últimas décadas. Afinal de contas, para que serve a inteligência emocional?

Essa característica é a habilidade de identificar e gerenciar as suas emoções e as dos outros. É importante ressaltar que, ao contrário da maioria das conceitos ou metodologias que provocam um burburinho dentro do RH, a inteligência emocional não é uma moda.

De fato, milhares de estudos acadêmicos demonstraram o poder preditivo das avaliações científicas de inteligência emocional em relação ao desempenho no trabalho, potencial de liderança, empreendedorismo e empregabilidade. Além disso, a importância da inteligência emocional tem sido destacada além dos ambientes relacionados a trabalho, assim como as pontuações mais altas são associadas ao sucesso no relacionamento, saúde física e mental, e felicidade.

Essas são boas notícias para quem tem altos índices de inteligência emocional. Mas o que podem fazer aqueles que não têm essas características tão desenvolvidas para melhorar suas habilidades intra e interpessoais? É possível melhorar o seu nível de inteligência emocional e o dos outros, além dos seus níveis naturais? Enquanto Daniel Goleman e outros autores defendem que, ao contrário do QI, a inteligência emocional pode ser moldada e treinada, essa característica é realmente apenas uma combinação de traços da personalidade. Consequentemente, não está gravada em pedra, embora seja, em grande parte, hereditária, moldada pelas experiências de infância e bastante estável ao longo do tempo.

Isso não significa que o entendimento da inteligência emocional e o esforço para esculpir comportamentos emocionalmente inteligentes sejam uma perda de tempo. Simplesmente significa que isso requer foco e dedicação. O mesmo vale para ajudar outros a agirem com inteligência emocional quando não estão naturalmente inclinados a fazê-lo.

Confira quatro passos principais para desenvolver a inteligência emocional:

Transforme a autodecepção em autoconecimento: a personalidade – e, portanto, a inteligência emocional – pode ser entendida por duas perspectivas: identidade (como nos vemos) e reputação (como os outros nos veem). Para a maioria das pessoas existe uma disparidade entre identidade e reputação que pode provocar um desprezo pelo feedback e o descarrilamento de carreiras. O autoconhecimento verdadeiro e estratégico é atingir uma visão realista dos pontos fortes e fracos, e como esses pontos se comparam aos dos outros.

Essa consciência não acontecerá sem o feedback, resultado de uma avaliação precisa baseada em dados ou de uma avaliação 360 graus, por exemplo. Essas ferramentas são essenciais para revelar pontos cegos relacionados à inteligência emocional.

Redirecione seu autofoco para o foco nos outros: prestar atenção aos outros equivale ao sucesso na carreira. Mas para pessoas com baixos níveis de inteligência emocional, é difícil enxergar as coisas com a perspectiva dos outros, especialmente quando não há um caminho claro a seguir. Desenvolver uma outra abordagem centrada nos outros começa com uma apreciação básica e reconhecimento das forças e fraquezas individuais dos outros membros. Conversas com o time devem inspirar oportunidades de colaboração, trabalho em equipe e networking externo.

Seja mais fácil de se relacionar: pessoas mais empregáveis e bem-sucedidas em suas carreiras tendem a ser vistas como mais fáceis de lidar. Essas pessoas tendem a ser cooperativas, amigáveis, confiáveis e altruístas. Pessoas mais difíceis tendem a ser mais reservadas e críticas; elas geralmente estão dispostas a falar o que pensam e discordar abertamente, mas podem construir uma reputação ruim por serem brigonas, pessimistas e provocarem confrontos. É apenas questão de tempo para que esse tipo de comportamento corroa os relacionamentos e as iniciativas de apoio que acompanham. É importante que esses indivíduos garantam um nível adequado de relacionamento interpessoal antes de delegarem tarefas para outras pessoas ou pedirem ajuda – uma maneira de conseguir isso é compartilhar conhecimento e recursos de maneira proativa, sem a expectativa de retorno.

Controle suas explosões temperamentais – A paixão e o entusiasmo intensos podem facilmente cruzar a linha e se tornarem explosões vulcânicas quando a pressão aumenta.  Ninguém gosta de um “bebê – chorão” e aqueles que se desencorajam e se desapontam demais diante de situações inesperadas podem não ser convidados a sentar na mesa dos “adultos”. Se você é uma daquelas muitas pessoas que sofrem de excessiva transparência emocional, reflita sobre as situações que disparam os sentimentos de raiva ou frustração e controle sua tendência a reações exageradas diante de obstáculos. Por exemplo, se uma pessoa faz um comentário irritante em uma reunião, controle sua reação, mantendo a calma. Isso não significa passar de um Woody Allen para o Dalai Lama, mas você pode conseguir inibir reações explosivas em situações estressantes detectando previamente seus gatilhos emocionais.

Mostre humildade: se você é o tipo de pessoa que pensa frequentemente “estou cercado por idiotas”, é provável que seu comportamento seja visto como arrogante e incapaz de admitir erros. Subir a escada organizacional requer um senso extraordinário de autoconfiança, o que até certo ponto é inspirador. No entanto, os líderes mais eficazes são aqueles que não parecem se levar tão a sério e gabar-se do próprio sucesso. Atingir um equilíbrio saudável entre assertividade e modéstia, demonstrando receptividade ao feedback e habilidade em admitir os próprios erros é uma das tarefas mais difíceis de dominar. Quando as coisas dão errado, os membros da equipe procuram uma liderança confiante, mas também esperam ser ensinados com humildade enquanto trabalham para melhorar a situação.

Embora essas recomendações possam ser difíceis de seguir o tempo todo, sabendo para que serve a inteligência emocional, você pode se beneficiar ao adotá-las. Assim como acontece em um coaching, o objetivo não é mudar sua personalidade, mas substituir comportamentos contraproducentes por ações mais adaptáveis – para construir novos hábitos que substituam tendências tóxicas e melhorem a percepção que os outros têm de você.

Com Harvard Business Review