Os custos financeiros com decisões de pessoal estão bem documentados. Para cada contratação errada, as empresas podem perder, em média, entre US$ 25.000-US$ 50.000 – ainda mais quando se considera a perda de produtividade, o moral dos funcionários e o relacionamento com os clientes. O que é menos compreendido, no entanto, é como a personalidade define o desempenho empresarial.

Um artigo recém-publicado pelo National Bureau of Economic Research (em inglês) lança uma nova luz sobre o tema. A pesquisa aponta ligações significativas entre a personalidade dos CEOs e os resultados financeiros de seus negócios.

Os autores do estudo – de Harvard, Stanford e da Universidade de Chicago – usaram a análise linguística, que é um mapeamento sistemático de palavras e estilos de linguagem, para identificar os traços de personalidade segundo o modelo dos Cinco Grandes Fatores (M5F) entre mais de 4500 CEOs.

O M5F é, indiscutivelmente, a taxonomia mais amplamente aceita dos traços de personalidade entre os psicólogos; a metodologia categoriza a personalidade em graus de emocionalidade, extroversão, afabilidade, conscienciosidade, e abertura mental. A análise linguística aplicada neste estudo específico foi estabelecida como um método viável de prever a personalidade.

Como exemplo: um CEO que tem um resultados elevado na escala de afabilidade irá exibir padrões de fala que incluem o uso de adjetivos, como apreciável, atencioso, gentil e confiante. A análise também apontou o número de palavras faladas, e a presença de qualificadores em outras partes do discurso – advérbios e conjunções.

Após a análise da linguagem, foram mapeados os traços de personalidade. Os autores examinaram a associação entre os traços de personalidade e os CEOs de investimentos e suas escolhas financeiras, e então foi olhada a conexão com o desempenho global dos CEOs das empresas.

Em termos de investimentos e escolhas financeiras, este estudo mostra que os níveis mais elevados de abertura mental estão associados com uma prioridade maior para P&D, uma medida de gastos das empresas com atividades destinadas a aumentar o “know-how” do setor e dos produtos.  A abertura mental também foi negativamente correlacionada com a carga de endividamento da empresa. Em outras palavras: quanto mais aberto o CEO, maior será a despesa com atividades de P&D e menor a alavancagem líquida da empresa.

Níveis mais elevados de conscienciosidade, no que se refere à autodisciplina do líder, disposição em seguir regras, e a prudência, foram associados a menores níveis de crescimento. Além disso, as empresas lideradas por CEOs mais extrovertidos mostraram retornos mais baixos sobre os ativos e menor fluxo de caixa.

Embora este estudo tenha sua replicação garantida, a maior conclusão a se tirar é que a personalidade, de fato, influencia o desempenho – de forma concreta e mensurável. Além disso, no nível dos CEOs e executivos, a personalidade pode afetar a saúde geral de uma empresa. Em outras palavras, a personalidade permite prognosticar o desempenho das organizações.