Os quatro traços de personalidade de líderes engajadores

Por Tomas Chamorro-Premuzic

A maioria das pessoas pensa na liderança como uma vocação, mas ela na verdade é um processo psicológico pelo qual se influencia os outros para que deixem de lado suas agendas pessoais e cooperem por um bem comum a um grupo.

As empresas nada mais são que grupos maiores e mais organizados que aqueles grupos em que nossos ancestrais desenvolveram os padrões psicológicos que ainda encontramos hoje.

Uma das razões por que a liderança é tão fundamental é que ela transforma um grupo de indivíduos talentosos em um time coeso. Porém, isso só acontece se for feito de uma maneira que ajude o grupo a trabalhar bem unido. E como o segredo do desempenho é o engajamento, são os líderes engajadores que fazem isso acontecer.

Por que ser engajado é importante

Pesquisas extensas mostram que o engajamento é a chave para direcionar o desempenho individual – em outras palavras, a maneira como os funcionários pensam, sentem e agem para mostrar seu comprometimento. Empregados engajados são enérgicos, orgulhosos, entusiastas e têm atitudes positivas no trabalho.

As empresas com funcionários engajados costumam ter retornos maiores sobre seus investimentos, mais lucratividade e rendem quase o dobro em comparação com as empresas cujos funcionários são pouco engajados.

Funcionários desengajados têm baixo desempenho, ficam entediados e mostram comportamentos contraproducentes, como ficar nas redes sociais, faltar muito, além de causarem problemas. O estudo How to Tackle U.S. Employees’ Stagnating Engagement (Como lidar com o engajamento estagnado dos trabalhadores dos Estados Unidos), feito pelo Gallup, em 2013, estimou que funcionários desengajados custam mais de US$ 450 bilhões por ano às empresas americanas. No Brasil, dados do Gallup de 2013 estimaram que US$ 42 bilhões sejam perdidos anualmente por baixo engajamento.

Quatro traços de líderes engajadores

Está clara a importância de termos líderes engajadores, mas o que sabemos sobre eles e elas? Embora seu estilo e expertise possam variar, os líderes engajadores tendem a demonstrar características consistentes de personalidade. Em geral, eles costumam ser mais estáveis emocionalmente, ambiciosos, sociáveis e interpessoalmente sensíveis que os outros.

A estabilidade emocional ajuda os líderes a se manterem calmos sob pressão para que possam acalmar seus subordinados e mantê-los no ritmo durante tempos difíceis.

A ambição ajuda os líderes a definir metas desafiadoras para suas equipes. Isso é muito importante, principalmente se considerarmos os efeitos recíprocos entre engajamento e desempenho. Em outras palavras, funcionários engajados têm melhor desempenho, mas indivíduos com alto desempenho também tendem a ser mais engajados. Trata-se de um círculo virtuoso – ou vicioso, depende de quão boa é a liderança.

A sociabilidade ajuda os líderes a se comunicar com suas equipes, desenvolver bons relacionamentos e dedicar tempo para cultivá-los.

A sensibilidade interpessoal permite que os líderes foquem mais nos outros que neles mesmos. São profissionais mais altruístas e sintonizados com os sentimentos dos seus subordinados.

Cinco traços de líderes desengajadores

Líderes pouco eficazes compartilham traços que desengajam uma equipe. Ser muito volátil, cauteloso, ardiloso e desesperado por atenção pode reduzir o desempenho da equipe.

A tendência temperamental causa problemas entre os funcionários devido aos humores erráticos e imprevisíveis dos líderes.

A cautela pode ser uma abordagem prudente em certas situações, mas, em excesso, pode ser frustrante, pois a aversão a riscos pode perpetuar o status quo mesmo quando é necessário mudar.

A disposição passiva resistente favorece a criação de líderes superficialmente políticos. Eles evitam conflitos, mas podem impedir o progresso da equipe se não oferecerem críticas construtivas. Ao mesmo tempo, isso cria uma abordagem de gestão passivo-agressiva.

A ardilosidade pode ser um trunfo. Líderes inteligentes podem ver oportunidades que os outros não conseguem. Em muitos casos, no entanto, líderes ardilosos parecem charmosos para alguns, mas manipuladores e desonestos para outros. Sua reputação mista faz com que não pareçam confiáveis.

A busca desesperada por atenção de líderes melodramáticos não costuma ser uma boa característica. Aqueles que focam mais neles mesmos que nos membros da equipe têm poucas chances de mantê-los engajados por muito tempo.

Além da personalidade

A personalidade não determina o estilo de liderança de uma pessoa, mas apenas seu potencial de liderança. Quanto mais traços de líderes desengajadores uma pessoa carrega, mais esforço ela terá de dedicar para superar essas tendências, no entanto, ainda é possível que ela tenha uma liderança eficaz.

Não é só o comportamento de um líder que impacta no engajamento do time. Também é possível impactar o engajamento moldando os papéis dos funcionários. Quando os funcionários sentem que suas tarefas são triviais e sem propósito, o engajamento e o desempenho tendem a cair. É dever dos líderes oferecer feedbacks regulares e maneiras de se aprimorar.

A personalidade dos funcionários também determina a maneira como eles lidam com algumas situações de trabalho. Quanto mais conscientes e otimistas os funcionários são, mais serão capazes de tolerar tarefas e chefes menos inspiradores.

Conseguindo mais engajamento

Todos os líderes podem se esforçar mais para se tornar mais engajadores por meio de suas próprias ações e disposições. Conhecer suas tendências é um começo para entender como suas ações impactam os outros.

A maioria dos líderes fracassa ao não ter uma boa percepção de como os outros percebem seu comportamento. Por isso, muitas intervenções de coaching tentam reduzir os efeitos negativos das personalidades dos líderes e apresentá-los a comportamentos mais engajadores.

Também é importante dar tarefas significativas e recompensadoras às equipes, dando a cada um o papel certo e se certificando de que os membros do time saibam quais são as expectativas em relação a eles.

Caso não funcione, a melhor aposta é simplesmente contratar pessoas felizes por natureza e temperamento. Pode não soar como uma boa técnica de liderança, mas pode ajudar líderes experientes a entender como as atitudes podem fazer uma diferença real. Funcionários felizes são mais propensos a ficar engajados por mais tempo, ainda que sua produtividade permaneça a mesma.