O seu time não precisa ser mais criativo

Quando o assunto é criatividade, as organizações são muito parecidas com as pessoas. Muitas empresas não têm problemas em gerar ideias, incluindo algumas que são potencialmente úteis e inovadoras. Além disso, normalmente, também são capazes de usar as ideias criativas geradas por outros. O que as organizações não conseguem fazer, porém, é transformar essas ideias em inovações reais. De fato, são poucas as ideias criativas que se transformam em produtos ou serviços inovadores.

Ainda assim, muitos gerentes enxergam a falta de inovação em suas empresas e lamentam que suas equipes não tenham criatividade. Na verdade, o problema não é a falta de criatividade, mas a falta de execução. Antes de diagnosticar se sua equipe criativa sofre com a ausência de ideias novas, veja primeiro se você precisa corrigir qualquer um dos seguintes desafios mais comuns:

O medo da mudança: Poucas coisas são mais prejudiciais à criatividade do que o medo da mudança. Embora as pessoas valorizem a inovação, a verdade é que estamos pré-programados a tornar nossos ambientes estáveis e familiares tanto quanto possível. Religião, filosofia e ciência – assim como cultos e movimentos políticos – existem para reduzir a ambiguidade e construir uma ilusão que proporciona uma sensação de previsibilidade e estabilidade mental em nossas vidas. Essas crenças profundas sobre o mundo são projetadas para serem inquestionáveis, e são difíceis de desaprender.

A inovação sempre envolve um grau de destruição criativa, que ameaça o status quo e exige adaptação ao desconhecido. Como Peter Drucker observou: “Se você quer algo novo, você tem que parar de fazer algo velho”. Isto não acontece apenas no nível individual, mas também em um nível organizacional e coletivo.

Portanto, mesmo quando alguns indivíduos são corajosos ou loucos o suficiente para incentivar a mudança, eles vão ser contrariados pela maioria. Se não forem, então eles não estão realmente insistindo na mudança.

Ser muito centrado no cliente: Em qualquer indústria, os clientes tendem a resistir à inovação. Henry Ford fez uma observação que ficou famosa, afirmando que se tivesse pedido aos seus clientes o que eles queriam, eles teriam dito “cavalos mais rápidos”. A questão, claro, é que os clientes nem sempre sabem o que querem – mas é a sua tarefa descobrir o que eles precisam. Ou melhor ainda, criar essa necessidade. Como disse Marshall McLuhan, “a invenção é a mãe da necessidade”.

Assim, uma abordagem centrada no cliente pode levar a melhorias progressivas aos seus produtos e serviços, mas se você quiser invenções revolucionárias ou uma mudança radical, então é melhor começar a ignorar seus clientes.

A falha em construir equipes: A visão ocidental romântica que acredita que a inovação emerge dos esforços individuais heroicos de superastros criativos é ao mesmo tempo ingênua e contraproducente. Toda inovação acontece como resultado do esforço coordenado de uma equipe, e a maioria das equipes mais inovadoras não estão cheias de pessoas criativas. Em vez disso, elas complementam uma ou duas mentes criativas com executores diligentes, líderes experientes que engajam, gerentes de projetos organizados e, acima de tudo, trabalhadores que botam a mão na massa.

Por maior que seja a tentação em dar um rosto à inovação, é mais justo reconhecer a contribuição daqueles que trabalham silenciosamente em segundo plano e que fazem a inovação acontecer.

Complacência: Todas as organizações são vítimas de seu próprio sucesso, porque o sucesso é o principal inimigo da inovação. Na verdade, a lei fundamental no ciclo de vida de qualquer empreendimento de sucesso diz que a inovação leva ao crescimento, mas o crescimento inibe a inovação. Em outras palavras, quando você é jovem e pequeno, naturalmente está “com fome” e é agressivo, o que leva ao sucesso. No entanto, o sucesso contém as sementes da autodestruição, porque quando você cresce e fica rico, torna-se gordo, preguiçoso e muito mais interessado em preservar e manter o que você conseguiu do que se concentrar em realizar mais coisas.

A capacidade de se manter insatisfeito com as realizações é o que ajuda os indivíduos e as empresas a crescerem.

Liderança ineficaz: A inovação tem muito a ver com a liderança. É necessário de uma liderança para ver ou criar o futuro antes dos outros. É a liderança que fomenta o espírito empresarial, o processo pelo qual a criatividade se transforma em inovação. E é preciso liderança para fornecer uma visão convincente para os outros. Ou seja, uma missão significativa que proporciona uma sensação de propósito e direção para o negócio, e alinha seus membros na busca de uma tarefa comum.

Com HBR