Possivelmente, 90% das opiniões que você escuta sobre os millennials – os jovens da Geração Y, nascidos entre 1980 e 2000 – são inventadas ou baseadas em dados irrelevantes. No entanto, existem algumas pesquisas científicas recentes que conseguiram realizar comparações dos millennials com outras gerações utilizando a metodologia certa: submetendo pessoas da mesma idade, e de diferentes épocas, às mesmas avaliações de personalidade – examinando como os jovens de 20 anos atualmente diferem dos indivíduos com 20 anos que viveram em 1990, 1960, e assim por diante. Esses dados são difíceis de adquirir, mas isso não significa que de outro modo devemos analisar dados incorretos e inventar conclusões esdrúxulas.

Então o que será que os jovens da Geração Y querem de verdade no trabalho, em comparação com outras gerações?

Primeiramente, podemos observar que o alto nível de narcisismo que essa geração possui sugere que eles estejam mais preocupados em chamar atenção, conquistar fama e assumir a liderança. Infelizmente, também pode ser um problema para a liderança eficaz, já que os indivíduos narcisistas dificilmente conseguem observar outras pessoas – que é exatamente o que os líderes devem fazer.

Os altos níveis de narcisismo dessa geração sugerem que eles estão mais interessados em trabalhar individualmente do que fazer parte de uma equipe. Isso explica porque o empreendedorismo — que promove um espírito independente e de não conformidade – é um caminho de carreira atraente para eles. O perigo é que essas escolhas de carreira geralmente apresentam menos chances de dar certo do que os empregos tradicionais, ao menos em nações industrializadas.

Comparado com outras gerações, os millennials apresentam necessidades materiais maiores e éticas trabalhistas ruins. Ou seja, são indivíduos que desejam ter mais, porém estão pouco dispostos a trabalhar esforçadamente para conquistar os objetivos, principalmente porque acreditam que são mais merecedores de sucesso do que outros.

A boa notícia é que não há muito o que se pode ser feito sobre isso. Até pouco tempo atrás, fazia sentido perguntar como deveríamos controlar os millennials, já que eles ainda não eram a força dominante no trabalho. Agora que eles estão efetivamente no comando – a maioria das organizações possui ao menos metade dos funcionários pertencente a essa geração, e muitos estão começando a ocupar cargos de gestão – a pergunta pertinente agora é entender o que eles pretendem fazer com os indivíduos de outras gerações. A verdade é que eles não estão tão interessados nas outras pessoas, e é tarde demais para que eles possam mudar significativamente. Talvez seja hora de finalmente começarmos a escrever sobre a próxima geração.

Com Management Today