As Olimpíadas aconteceram em agosto passado, no Rio de Janeiro e a experiência, sem dúvidas, sempre traz novos insights. Um exemplo disso foi o caso sobre como uma psicóloga australiana utilizou as ferramentas Hogan para avaliar a performance dos seus atletas. Danielle Fraillon –que na verdade atende executivos e atletas– utilizou o Inventário Hogan de Desafios para avaliar o lado sombrio da personalidade de alguns atletas australianos que foram às Olímpiadas.

Para a psicóloga, há características comuns entre líderes e atletas que fazem a diferença no sucesso desses profissionais, mesmo trabalhando em áreas tão diferentes. Um senso de propósito coletivo, resiliência, ritmo e performance, aliados a uma forte cultura de equipe são aspectos-chave para o sucesso nos dois casos.

Sob estresse, alguns traços de personalidade podem prejudicar a performance. Como exemplo, a psicóloga cita o caso de um executivo local cujo temperamento explosivo o levou a perder o emprego no ano passado. Mas uma característica negativa pode ser utilizada de forma que as pessoas consigam ultrapassar seus limites. Um exemplo disso são as nadadoras australianas Cate Campbell e Cam McEvoy, cuja ansiedade dos palcos ajudou-as a dar o melhor de si durante as Olimpíadas.

Ritmo e performance também são um conceito-chave para atletas de alto nível, como Michael Phelps, que atribuiu o seu sucesso ao preparo psicológico para enfrentar as Olimpíadas – enquanto que atletas australianos acabaram não desempenhando bem nas provas de nado, uma tradição para o país. A resposta para má performance foi que, neste ano, os atletas não estavam no seu ápice.

“Esse conceito de ritmo e performance será cada vez mais importante quando se fala em construir uma organização mais ágil e inovadora no futuro. Quando os atletas dão o melhor de si, eles entendem totalmente o seu ritmo pessoal no que diz respeito à performance”, afirma a psicóloga.

Um propósito maior

Especialistas em cultura organizacional também salientam que os atletas geralmente encontram um propósito maior para suas vidas por meio do esporte, o que os torna mais resilientes, e os ajuda a continuar em busca do seu objetivo, mesmo com todas as dificuldades. “Esse tipo de comportamento é o que os ajuda a ir em frente mesmo após uma lesão séria, ou um desempenho ruim”, explica Danielle.

Líderes de alta performance também precisam criar um propósito claro e um significado para o negócio que faça sentido, a fim de engajar seus empregados. “Os líderes do futuro precisarão ter a habilidade de manter o foco naquele propósito, testá-lo, e reerguer-se rapidamente após um problema”, afirma a psicóloga.

Atletas olímpicos vencedores também entendem a importância de todo o time na condução do sucesso: treinadores, nutricionistas, médicos, e familiares. “Times de sucesso confiam na expertise individual dos seus membros, suas funções individuais são bem definidas, então todos entendem o que precisam fazer para ter sucesso”, lembra Danielle.