O lado negro do engajamento de funcionários

Por Tomás Chamorro-Premuzic

*Texto publicado originalmente na Harvard Business Review

Ainda que o engajamento dos funcionários tenha se tornado a “última moda” no RH, é difícil negar a sua importância. De fato, vários estudos mostram que altos níveis de engajamento aumentam o bem estar do funcionário, bem como sua performance e níveis de retenção. Por exemplo, unidades de negócios nos quais o nível de engajamento é maior, tendem a ter uma melhor performance no que tange a faturamento e lucratividade, e as organizações com funcionários engajados tendem a ter um melhor atendimento ao cliente.

Dito isso, o engajamento nem sempre parece se encaixar. Para os iniciantes, os resultados da  correlação entre engajamento e performance estão longe de serem perfeitos, o que significa que muitos indivíduos e times engajados não estão entregando os resultados que os líderes esperam. Ao mesmo tempo, alguns líderes vão descobrir que os seus melhores times em termos de performance estão entre os menos satisfeitos. Como isso é possível?

Uma explicação plausível é que, enquanto o engajamento é um importante ingrediente para a performance, esta também é afetada por outros fatores – e, algumas vezes esses fatores importam mais do que engajamento. Por exemplo, um recente estudo publicado pelo Google descobriu que os principais motivadores de uma performance eficaz do time são uma cultura organizacional forte, objetivos claros, e um forte senso de propósito. Da mesma maneira, estudos científicos mostram que a habilidade de julgamento e tomada de decisões pode afetar o time muito mais que o engajamento. Isso explica porque certos líderes – como Steve Jobs e Jeff Bezos – podem ser tão eficazes apesar de não terem uma grande habilidade com pessoas ou inteligência emocional: você pode progredir se contar com um grande poder de julgamento e visão.

É também plausível que o engajamento por si só seja uma barreira para uma melhor performance se levado ao extremo. Quando os empregados estão muito focados em engajar-se, eles provavelmente não se importarão muito em fazer mais, e qualquer um que tenha um comportamento fora da curva poderá ser julgado de forma negativa: a ambição se torna avareza, a auto-estima, narcisismo, e a criatividade acaba se tornando uma excentricidade.

Abraçando o status quo. Para muitas empresas o ambiente competitivo é necessário. Para sobreviver, essas empresas precisam se adaptar constantentemente. Ainda que vários estudos demonstrem que pessoas com um pensamento positivo tendem a ter melhores ideias, a maior parte dos líderes descobre que a inovação real exige uma insatisfação costante com o status quo.

Quando se trata de engajamento, é possível que funcionários felizes e motivados tenham dificuldade em mudar. Além disso, pesquisas mostram que pessoas otimistas sobre sua performance não têm a preocupação de tentar melhorá-la, enquanto que pessoas insatisfeitas tendem a encontrar um caminho para melhoria, desde que tenham suporte para isso.

Empurrando os funcionários para o “burnout” (fadiga). Quando encorajados, é fácil para os funcionários tornarem-se tão envolvidos com o seu trabalho ao ponto de deixarem de se preocupar com outros aspectos da sua vida. Mesmo que as empresas prefiram empregados workaholics, essa perspectiva mostra pouca consideração com o bem-estar das pessoas ao longo do tempo – e pode comprometer até mesmo a saúde da empresa a longo prazo.