Os líderes carismáticos são, muitas vezes, considerados os melhores líderes por seus subordinados por terem seu jeito expansivo e divertido e sua habilidade de inspirar os colegas de trabalho, que contribuem para a performance dos seus funcionários e até mesmo aumentar os níveis de comprometimento, confiança e satisfação dos colaborares da empresa. Porém, algumas pesquisas apontam que o excesso de carisma não é tão positivo como parece e pode fazer com que o líder carismático pareça menos eficaz.

Uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology utilizou o Inventário Hogan de Desafios (HDS) como base e entrevistou profissionais de diversos países e níveis hierárquicos. O objetivo foi entender como funcionários avaliam seus gestores em relação a carisma e eficácia, e como os líderes se autoavaliam. Em relação à percepção dos subordinados, foi constatado que, na medida em que o carisma aumenta, também cresce a eficácia – mas apenas até certo ponto. Quando a pontuação começa a passar de 60%, o nível de eficácia começa a cair.

Nessa mesma pesquisa, foram testados alguns motivos que pudessem explicar por que a eficácia dos líderes começava a cair quando o carisma deles “passava do ponto”. Uma das explicações dadas pelos pesquisadores é que os custos de ter uma personalidade carismática podem ultrapassar os benefícios. Isso porque líderes carismáticos são notados por um comportamento mais estratégico com relação à sua reputação do que ao operacional do dia a dia, ou seja, a percepção é de que eles estão mais interessados em parecer “legais” do que realmente trabalhar duro para atingir os resultados.

Não existe uma linha que separe exatamente o excesso e a quantidade certa de carisma para um líder, o que acaba dificultando a análise e a adequação desse comportamento. No entanto, o recomendado para líderes muito carismáticos é ficar atento a possíveis inconvenientes que venham a surgir por conta dessas características e tentar equilibrar o comportamento estratégico com o operacional. Outro ponto a ser considerado é que o carisma em excesso pode se transformar em narcisismo e arrogância, por conta do nível de autoconfiança, e isso pode acabar com os benefícios da carisma do líder. Esta é conhecida expressão da verdade de que “menos é mais”.

Um dos principais erros dos líderes excessivamente carismáticos é pecar no gerenciamento diário do trabalho por estar focado em um plano estratégico maior com novas visões. Por outro lado, para líderes pouco carismáticos e “low profile” que não gostam de chamar a atenção para si, o maior problema é não dedicar tempo ao desenvolvimento de planos de longo prazo e novas estratégias de trabalho, ou pelo menos não comunicarem o que realizam. Com isso, chegamos à conclusão de que o ideal é o líder encontrar o equilíbrio em relação ao nível de carisma e a eficácia.

O importante é não permitir que o carisma mascare a competência profissional e, se for preciso, buscar treinamentos que ajudem a equilibrar esses traços de personalidade a fim de encontrar o melhor equilíbrio entre os dois mundos.

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