Leve sua intuição mais a sério

O cérebro humano está sempre ligado e pronto para vasculhar informações e tomar decisões baseadas apenas no instinto. De fato, quando um estudo de 2012, feito pela Escola de Ciências Psicológicas da Tel Aviv University, pediu para que os participantes usassem sua intuição para escolher duas opções, a resposta estava correta em 90% das vezes.

Apesar de todas as qualidades do nosso cérebro, frequentemente deixamos passar elementos que estão bem na nossa frente.  No entanto, frequentemente ignoramos nossa voz interior quando a resposta não é conveniente.

Outro estudo, feito em 2014 pela University of California, mostrou que as pessoas são piores em detectar mentiras quando param para pensar e não aceitam sua intuição inicial dizendo que aquilo era mentira. Há ainda outra pesquisa, feita pela University College London em 2007, que mostra que quanto mais pensamos para tomar decisões, mais sua qualidade cai.

Isso não significa que os processos de tomada de decisão baseados em pesquisa não rendam bons resultados. Na verdade, existe uma série de estudos científicos que mostram que, nos negócios, sua voz interior pode ser associada a dados frios e concretos para gerar decisões melhores.

A intuição é mais rápida que a mente

O neurocientista Antonio Damasio da University of Southern Californa diz que é importante se atentar a marcadores somáticos. Originados na ínsula (parte do cérebro responsável pelas emoções sociais, como orgulho e culpa) e na amígdala (que dá deixas para resposta a ameaças), os marcadores somáticos enviam mensagens de que algo está certo – ou que não está. Quanto mais atenção prestamos à intuição em combinação com os fatos, melhores decisões podemos tomar no futuro. Apesar de não serem 100% precisos, esses sinais não devem ser ignorados.

A maneira certa de considerar risco e incerteza

Mais pesquisas recentes sobre a complexidade de tomar decisões baseadas na intuição estão sendo feitas por Shabnam Mousavi, uma professora assistente na Johns Hopkins Carey Business School. Ela é autora do estudo Risk, Uncertainty, and Heuristics, que explora a ideia de que a intuição pode ser uma ferramenta mais útil que cálculos complexos em certas situações.

A pesquisa se aprofunda no trabalho de Daniel Kahneman, que mostrou a frequência com que os humanos escolhem fazer julgamentos rápidos baseados na intuição em vez de deliberar com base nas informações disponíveis.

Shabnam propõe que informações demais podem ser tão prejudiciais quanto um palpite em alguns casos. Um exemplo vem de um teste dado a estudantes sobre qual cidade é maior: Detroit ou Milwaukee, ambas nos Estados Unidos. O resultado foi que 90% dos alemães acertaram, enquanto apenas 60% dos estudantes americanos responderam corretamente.

A explicação é que os alemães simplesmente escolheram aquela da qual já haviam ouvido falar mais vezes e, logo, deduziram ser a maior. Os americanos, munidos de mais conhecimento dessas cidades, não conseguiram enxergar o óbvio e erraram.

Pode parecer um exemplo simplista, mas pesquisadores notaram que, ao colocar duas cidades das quais os estudantes nunca tinham ouvido falar, os resultados mudaram dramaticamente. Da mesma forma, novatos no mercado financeiro não têm dificuldades para escolher ações melhores que experts, mas o jogo muda se dermos a eles um portfólio de marcas irreconhecíveis.

Ou seja, não podemos confiar cegamente na intuição, mas precisamos levá-la mais a sério.

Com Fast Company