Young female professional doesn’t agree with the opinion of her colleagues on a business meeting

A sabedoria popular faz com que você acredite que um líder é alguém que exala confiança e carisma porque parece inteligente, interessante e envolvente. No entanto, na maioria das vezes, esse tipo de líderes causa estragos no local de trabalho. Um número crescente de pesquisas sugere que a humildade é uma qualidade muito mais importante em um líder do que o carisma.

As organizações tendem a favorecer pessoas que “parecem” líderes. Os indivíduos interessantes, politicamente experientes e que fazem sua autopromoção tendem a ser destinados à promoção. Esses líderes sabem o que é preciso para seguir em frente e serem notados, e eles atendem de forma diferenciada e estratégica ao público que poderá oferecer-lhes poder, influência, status ou acesso a recursos.

O carisma é a qualidade de ser encantador, cativante e agradável de se estar por perto. Somos naturalmente atraídos por pessoas carismáticas porque nos sentimos bem em sua presença. No entanto, pessoas carismáticas também tendem a ter opiniões infladas sobre si mesmas e sobre suas habilidades. Eles também tendem a ser mais “auto-promotoras” do que outros. Muito carisma pode contribuir para líderes se tornarem ineficazes, pois sua tendência a ser narcisista pode alienar aqueles que trabalham com eles.

Em essência, o carisma é uma faca de dois gumes. Pouco carisma pode tornar difícil para um líder a tarefa de convencer os membros da equipe a apoiar a sua visão. Carisma demais, e os membros da equipe se sentem sem apoio e desengajados. A forte sobreposição entre carisma e narcisismo significa que é fácil para o charme se transformar em arrogância e um senso de se ter mais direito que outros.

A humildade, por outro lado, é de vital importância para criar estabilidade e engajamento nas equipes. Um dos estudos mais famosos sobre o tema analisa o sucesso de 11 empresas de alto desempenho, ao longo de 15 anos. Os líderes das empresas de maior desempenho tinham duas coisas em comum: eram ferozmente competitivos com o mercado, mas pessoalmente humildes.

A humildade é um assunto relativamente novo no contexto de liderança e eficácia organizacional, principalmente porque líderes humildes normalmente não se destacam da multidão. Pesquisas preliminares sobre o tema mostram que um líder humilde inspira colaboração e conquista o respeito dos membros de sua equipe. Eles também criam ambientes de trabalho com maior grau de satisfação e produtividade. Embora o assunto seja relativamente novo, há reivindicações válidas para torná-lo mensurável. Pesquisas iniciais mostram que essas habilidades indicam humildade: modéstia, sinceridade, abertura para feedback, reconhecimento de outros, baixos níveis de arrogância e baixos níveis de narcisismo.

Mark Carney, governador do Banco da Inglaterra, enfatizou a importância da humildade como um atributo essencial da liderança recentemente. “Bons líderes combinam humildade pessoal, autoconhecimento e capacidade de aprender”, diz Carney. “Isso significa admitir erros, buscar e aceitar feedback e compartilhar as lições que você aprendeu.”

Há boas notícias para aqueles que não são naturalmente humildes: a pesquisa sugere que apenas mostrando sinais de humildade, líderes excessivamente carismáticos podem compensar as qualidades que os tornam malquistos. Uma dose de humildade pode fazer um chefe narcisista parecer mais acessível, apoiador e receptivo ao feedback.

“A humildade tem a capacidade de neutralizar os efeitos potencialmente nocivos do narcisismo, o que pode levar a resultados positivos para a organização”, diz Dena Rhodes, consultora de pesquisa da Hogan Assessments. “Isso sugere que os indivíduos ainda podem ter uma identidade narcisista e ser eficazes como líderes, desde que tenham uma reputação humilde”.

A boa notícia é que mesmo os líderes mais arrogantes podem aumentar sua eficácia mostrando humildade, mesmo que não seja inteiramente genuína. Aqui estão algumas dicas para evitar as armadilhas do carisma:

Coloque os holofotes sobre os outros: fazer um esforço planejado para reconhecer as conquistas dos membros da equipe e subordinados

Aumentar o autoconhecimento: tente ativamente entender suas limitações e mostre disposição para reconhecer seus erros

Esteja aberto ao feedback: uma marca registrada da humildade é ser aberto ao feedback e coaching, o que significa mostrar-se receptivo a críticas e aceitar que o seu jeito não é o único jeito de se fazer as coisas e produzir os resultados almejados

Cheque o que é que você julga que os outros lhe devem: trabalhe para ganhar o respeito de seus colegas, não assuma automaticamente que você tem direito a isso

Monitore seus comportamentos de autopromoção: procure dar mais foco em ser bem aceito pelos outros do que passar na frente deles.

Um dos grandes desafios de executivos que chegaram a posições elevadas de poder nos organogramas com atitudes e comportamentos assertivos e carismáticos é se conscientizar que para o sucesso sustentável, o mais importante será mostrar-se vulnerável e humilde – parar de se vender e passar a ser mais genuinamente humano.