líderes humildes

Existem dois caminhos básicos para se tornar um CEO. Um é iniciar um negócio de sucesso e nomear-se para o cargo. O outro é subir a escada corporativa até chegar ao degrau mais alto. 

Ambos os tipos de CEOs são suscetíveis à crença perigosa de que eles sempre são a pessoa mais inteligente da sala. O fundador da empresa pode pensar que, como eles correram com uma ideia e ela funcionou, agora eles têm as melhores ideias. O profissional que ascende ao cargo pode sentir a pressão de todos que esperam que ele tenha as melhores ideias, e sucumbir à mesma falácia.  

De qualquer maneira, é uma mentalidade destrutiva. Você pode ter tido uma ótima ideia que deu certo, mas também pode ter ótimas ideias uma em cada dez vezes. Você pode ter uma taxa de acerto melhor do que outras pessoas, mas ninguém é imbatível.  

Quando você deve ser a pessoa mais inteligente da sala? Talvez durante uma discussão sobre estratégia, ou sobre valores, cultura ou concorrentes. Isso não significa que todo mundo precisa calar a boca e ouvir — apenas que há uma alta probabilidade de que você  contribua mais para a discussão.  

Aqui estão as duas principais razões pelas quais o ego pode ser seu inimigo: 

  1. Você não vai contratar as melhores pessoas.

Se você é o tipo de CEO que sempre pensa que você é a pessoa mais inteligente da sala, tenho más notícias para você: as melhores pessoas não trabalham para alguém assim.  

Você se limitará e estará cercado apenas por pessoas com poucas ambições para si. O objetivo delas não será produzir um pensamento original, mas apenas fazer o que você manda fazer. 

  1. Você impede que as pessoas se expressem.

As melhores ideias não vão partir necessariamente de diretores ou pessoas altamente especializadas –às vezes uma boa sacada por vir dos profissionais de nível operacional. Mas, para isso, essas pessoas precisam ter a liberdade de se expressar e apresentar suas opiniões. Por isso, o papel de um bom CEO é sempre abrir espaço para discussão de maneira saudável, aceitando as ideias e insights de outras pessoas. 

Por que é tão difícil encontrar líderes humildes? 

Encontrar um candidato a CEO autenticamente humilde é raro. Se olharmos para os perfis de personalidade de pessoas que querem ser CEOs complica ainda mais as coisas. 

Pesquisas mostram que certos empregos atraem pessoas com personalidades específicas. Os recrutadores, por sua vez, confiam em julgamentos, muitas vezes subjetivos, de como a personalidade de um candidato se encaixará no trabalho e na organização. 

Os CEOs tendem a pontuar acima da população em geral em atributos de personalidade como orientação para realização, ambição, assertividade e preferência ao risco. Indivíduos com algumas dessas características, ou uma combinação dessas, podem ser particularmente hábeis em fingir se encaixar nos critérios ideais para um papel específico. 

Por exemplo, estudos mostram que os narcisistas são particularmente hábeis em parecer carismáticos à primeira vista. O carisma, por sua vez, tem sido considerado uma característica desejável dos CEOs. Os CEOs percebidos como carismáticos, consequentemente, recebem salários mais altos. 

Portanto, a humildade genuína pode ser uma característica de personalidade escassa entre os candidatos a cargos de CEO. 

Obstáculos à liderança com humildade 

CEOs humildes enfatizam a liderança como uma atividade compartilhada e buscam ativamente conselhos de outras pessoas. Embora isso possa funcionar para decisões analíticas e mais ponderadas, pode custar velocidade. 

As empresas de alto desempenho geralmente são caracterizadas pela capacidade de tomar decisões rapidamente. De fato, algumas evidências sugerem que CEOs mais narcisistas podem ser mais rápidos em fazer julgamentos, por exemplo, sobre a adoção de novas tecnologias. 

Os CEOs também devem fornecer previsões precisas sobre um futuro incerto. No entanto, os gerentes geralmente se envolvem no comportamento do rebanho diante da incerteza, e as empresas geralmente acabam se imitando. Em virtude de seu autoconhecimento bem desenvolvido, espera-se que os humildes CEOs apresentem expectativas mais realistas que podem se desviar do super otimismo coletivo. 

No entanto, os analistas tendem a classificar as previsões otimistas de maneira mais favorável. Como tal, CEOs humildes podem ser penalizados por transmitir previsões mais conservadoras, embora mais realistas. 

Algumas pesquisas sugerem que profissionais talentosos podem se tornar mais conscientes nas fases posteriores de sua carreira. Nesse caso, alguns CEOs podem se tornar mais humildes à medida que se aproximam da aposentadoria. 

No entanto, os supostos benefícios da idade e da experiência podem ser compensados ​​por outras tendências que surgem nas fases posteriores da carreira. Por exemplo, os CEOs mais próximos da aposentadoria têm uma tendência natural a reduzir os investimentos em inovação, e aqueles com maiores cargos tendem a ser excessivamente avessos à mudança. 

Permanecer genuinamente humilde através de estágios progressivos de alto desempenho é difícil para os profissionais que ascendem ao cargo. Aqueles que são autenticamente humildes, por sua vez, enfrentam desafios distintos que podem superar os benefícios de sua humildade.