Em março passado, uma histórica caminhada feminina na Estação Espacial Internacional foi cancelada porque a NASA tinha apenas um dos trajes de tamanho médio necessários para acomodar as duas astronautas. Embora a NASA aparentemente tenha tido boas intenções em sua tentativa de diversidade, aparentemente ficou aquém da execução.

Os erros na inclusão são comuns

A NASA está longe de ser a única empregadora que tem boas intenções, mas falha na hora de executar uma política de inclusão. Muitas empresas acabam com o mesmo problema – embora muitas pesquisas apontem que a diversidade da força de trabalho pode ter efeitos extremamente positivos.

Mas algumas empresas não estão vendo esses resultados porque não há um investimento real no cumprimento dessas políticas, e nem índices que possam refletir as mudanças.

No Brasil, por exemplo, o número de pessoas com deficiência (PcD) no mercado de trabalho é um fator ainda preocupante. Segundo pesquisa do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde de 2013, 6,2% da população do país têm algum tipo de deficiência. Quando se trata do mercado de trabalho, apenas 418,5 mil de PcD estão devidamente empregadas, o que corresponde a 0,8% do total de empregos formais.

Mesmo que a taxa de inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho esteja em um constante crescimento, o número ainda não passa nem perto do ideal. Em 1991, foi criada a lei número 8213/91, conhecida como Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência, a qual estabelece a obrigatoriedade de empresas que possuem no mínimo 100 empregados a destinarem uma parcela de suas vagas de emprego a pessoas com deficiência.

Em relação ao gênero, o Brasil também precisa avançar ainda. Ainda que tímida, existe uma busca pela integração de transexuais no mundo corporativo. Um exemplo vem do site Transempregos, voltado para a inclusão de profissionais trans no mercado de trabalho. Quando a plataforma foi criada, em 2014, apenas 12 companhias queriam usar seus serviços. Atualmente, já são 46 empresas — um crescimento de quase 300%.

Um processo longo

Embora os empregadores não possam prever todos os obstáculos na jornada de diversidade e inclusão, há medidas que podem ser tomadas para minimizar os problemas. Ao considerar minuciosamente as tarefas que estão por vir, buscar informações e estar disposto a aprofundar as conversas difíceis, dizem os especialistas, as empresas podem caminhar de maneira mais eficiente pela conversa sobre diversidade e inclusão.

Abrir o diálogo junto aos funcionários é fundamental para a troca de ideias e para o fomento da aceitação do diferente no trabalho. Assim como um trabalho com gestores também é fundamental para a inclusão –já que eles têm o poder de decidir quem contratar. Obviamente, a mudança não começa de uma hora para outra, mas começar essa jornada já é um passo importante.