Durante a 33ª Conferência da SIOP (Sociedade de Psicologia Industrial e Organizacional) em Chicago, que aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de abril, entrevistamos Scott Gregory, o novo CEO da Hogan Assessments. Confira, na íntegra:

Por Roberto Santos, Sócio-Diretor da Ateliê RH

Em 2017, a Hogan celebrou seus 30 anos, tendo alcançado a marca de 7 milhões de relatórios gerados em 56 países e 47 idiomas e este ano a Ateliê RH celebra 15 anos da introdução do Hogan no Brasil – o que podemos esperar sobre “assessments” em geral e do Hogan em particular para a próxima década? Quais suas principais estratégias como CEO da Hogan Assessments?

“Nós sempre baseamos nossos assessments na Ciência, enquanto a indústria de testes e assessments, como um todo, tem se distanciado dela. Nós não vamos nos afastar da Ciência – ela vai continuar sendo nosso alicerce fundamental. Além desse fundamento, nós estamos inteiramente abertos às diferentes direções que o mercado possa tomar e nossos clientes possam ter, mas francamente, isto ainda não está muito claro. Nossos assessments podem mudar de diversas maneiras – os questionários podem ser mais curtos, por exemplo. Isso é melhor do que as formas mais longas? Não. Há razões para fazer isso? Em alguns casos, sim, e nós vamos responder a isso. Mas em geral, nosso objetivo é garantir que a Ciência seja sólida e na linha de frente para nossos clientes e parceiros. Visamos oferecer algo que vai direto ao ponto, uma recomendação de seleção, algo que seja rico em recomendações para desenvolvimento e acrescente outras medidas como “humildade” na qual estamos trabalhando no presente.

Estamos trabalhando em três frentes no momento – primeira, estamos renovando nosso portfólio de produtos com destaque para reafirmar nosso posicionamento no negócio de seleção, onde começamos e temos muita “expertise”. Nós crescemos muito no foco em desenvolvimento, mas as soluções voltadas para seleção carecem de renovação. Não vamos mais trabalhar com relatórios em PDF fechado, vamos deixar aberto para que o cliente configure o relatório de forma que melhor atenda sua necessidade. Segunda frente, estamos reforçando toda a infraestrutura tecnológica para poder apoiar o novo portfólio de produtos e a terceira frente, o foco nos distribuidores que terão um apoio de marketing regionalizado para reforçar em cada parte do globo, a marca Hogan que já é bastante forte.

Ainda como reforço das bases para o futuro da Hogan Assessments, acabamos de contratar um “Chief of Science Officer” (VP de Ciência), Dr. Ryne Sherman que tem uma profunda experiência em mensuração de personalidade e já está envolvido em várias linhas de pesquisa nas tendências mais modernas deste campo, que poderão se transformar em produtos para o futuro. Porém, o mais importante sobre isso é que em nenhum caso vamos comprometer a qualidade e as obrigações éticas que temos com as pessoas que avaliamos. Por exemplo, não estamos interessados em usar dados do Facebook (que recentemente protagonizou um escândalo com a Cambridge Analitica).”

Outros temas que fizeram parte do bate-papo com Scott foram:

  1. A tendência de oferecer os assessments em multiplataformas (tablets, smartphones, além de computadores) – apesar de já ser possível no caso do Hogan, esta opção é ainda muito pouco usada pelas pessoas – nos últimos 3 anos evoluiu de 9 para 12% apenas, ou seja, as pessoas ainda preferem usar um “notebook”;
  2. O surgimento de inúmeras opções de assessments que surgem diariamente na internet, apesar de serem “lixo”, acabam se tornando concorrentes, por isso, a Hogan trabalha em formas mais simples e menos técnicas de educar os usuários sobre a validade e outros critérios de qualidade psicométrica dos testes;
  3. Outra tendência muito falada nos últimos anos, inclusive em RH, é o “data analytics” – e a nova plataforma citada na entrevista, permitirá a nossos clientes, trabalhar com os dados das pessoas avaliadas com o Hogan com muito mais flexibilidade e
  4. O MVPI está sendo revisado para reforçar seu poder preditivo e diferenciação dos resultados em 4 níveis, possibilitando diferenciar o “indiferente” da “aversão” nos casos de resultados baixos, por exemplo. Além disso, as subescalas devem ser reduzidas de cinco para três (drivers, preferências ocupacionais e Vieses inconscientes) – podemos esperar estas mudanças ainda em 2018.

A presença do Hogan na conferência da SIOP continua marcante e em destaque como pudemos constatar e os números comprovar, reforçando nossa aliança e amizade com a Hogan Assessments nestes 15 anos como seus representantes e guardiões da marca de qualidade no Brasil.