Desafiando o mito da autoconfiança aliada ao sucesso

“A maioria dos acidentes acontecem por excesso de autoconfiança”. Você certamente já deve ter ouvido essa máxima. A conclusão, embora popular, é repetida por Tomas Chamorro Premuzic, CEO da Hogan Assessments, em sua mais recente entrevista sobre como o excesso de autoconfiança na verdade é prejudicial às organizações.

“A maior parte dos episódios de traição é cometida por indivíduos com autoconfiança suficiente para achar que poderiam se safar impunemente. O mesmo se aplica às apostas financeiras e àqueles individuos que apostam usando o dinheiro dos outros”, completa ele.

A baixa autoconfiança, por outro lado, reduz não somente as chances de qualquer um tornar-se arrogante, mas também as possibilidades do autoengano. Pessoas que não têm muita confiança em si mesmas admitem seus erros ao invés de culpar os outros, e raramente tomam o crédito pelo sucesso de outros.

Para o psicólogo, o maior benefício da baixa autoconfiança é a possibilidade de sucesso –seja nos negócios ou na vida. O problema, infelizmente, é que a maior parte das pessoas têm uma opinião sobre si mesmas que difere do que os outros pensam delas: geralmente as pessoas se consideram mais aptas, mais bonitas e mais inteligentes do que realmente são. “Idiotas e gênios não diferem muito quando se trata de estimar suas próprias habilidades”, diz Chamorro-Premuzic.

“Nós deveríamos separar a autoconfiança da competência”, lembra Chamorro-Premuzic. É impossível falar sobre fraquezas no trabalho – elas se tornaram “oportunidades de desenvolvimento. Algumas empresas chegaram ao ponto de eliminar qualquer expressão negativa das suas avaliações de funcionários”.

O problema é maior quando esses indivíduos, com uma exacerbada autoconfiança, chegam à liderança das organizações. As consequências disso são líderes com uma personalidade tóxica para a organização, presos em um viés otimista sobre si mesmos, e que terminam por tornarem-se extremamente receptivos ao feedback positivo, mas totalmente resistentes à qualquer observação mais crítica.

O  que leva, consequentemente, ao desengajamento dos funcionários. Só nos Estados Unidos, o custo do desengajamento pode chegar a US$ 300 bi por ano.

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