Por Darin Nei

A caminho da conferência da Human Resources Professional Association, em Toronto, estava lendo o popular livro, The Signal and the Noise, do estatístico Nate Silver. Caso não esteja familiarizado com o livro ou o autor, Silver tem interesse na aplicação de probabilidade e estatísticas no entendimento de predições e tomadas de decisão usando exemplos do mundo real. É provável que esteja um pouco atrasado para a festa, mas para um nerd autoproclamado como eu, é uma leitura fascinante e algo que recomendaria.

Enquanto estava lendo o livro, houve uma frase que ressoou em mim – “Onde quer que haja um julgamento humano há potencial para viés”. Como psicólogo industrial e organizacional, não pude deixar de relacionar o trecho ao local de trabalho. Foi em algum lugar a 35 mil pés acima do Lago Erie que me dei conta; a qualidade das decisões que tomamos está diretamente relacionada a quão bem desempenhamos nossos trabalhos. De fato, é provável que isso seja um dos maiores determinantes de nosso desempenho organizacional. As pessoas e os negócios mais bem sucedidos são aqueles que tomaram as decisões certas na hora certa.

Não importa de qual trabalho estamos falando ou qual nível de uma empresa estamos considerando, a habilidade de tomar boas decisões está diretamente relacionada ao seu sucesso. Os bartenders devem decidir quando parar de servir um cliente bêbado. Engenheiros precisam tomar decisões sobre onde reforçar a estrutura dos prédios. CEOs precisam tomar decisões sobre a visão da empresa para o futuro. Tudo se trata de decisões.

Apesar de ser verdade que todos os julgamentos humanos estão submetidos a vieses, também sabemos que os humanos são previsíveis. Entendendo nossos próprios vieses, devemos estar aptos a tomar decisões melhores, ter uma habilidade de julgamento melhor. Há três componentes principais relacionados à tomada de decisão.

A primeira é o entendimento de como as pessoas processam informações. Algumas são boas em trabalhar com números, outras são melhores com palavras. Se soubermos como as pessoas processam informações, podemos entender a base de conhecimentos usada para chegar a uma decisão.

O segundo fator é o entendimento que enviesa nossas decisões. Algumas pessoas são enviesadas para maximizar recompensas, enquanto outras são voltadas a minimizar ameaças. Alguns preferem pensar a longo prazo e outros pensam no “aqui e agora”.

O terceiro fator é o entendimento de como as pessoas reagem depois de tomar uma decisão. Algumas pessoas tendem a ser mais calmas e receptivas a feedback, outras, por outro lado, tendem a ser mais defensivas e vão negar que haja algum problema com as decisões que tomaram. Como as decisões são sempre tomadas com limitações e restrições, pessoas com boa capacidade de julgamento se diferenciam por estar abertas a feedbacks e incorporá-los em futuras decisões. Em outras palavras, elas aprendem com seus erros.

Silver chega a um ponto importante quando diz que muitas previsões (decisões) falham. Para ter uma chance de tomar decisões melhores, melhorar a qualidade de nosso processo de julgamento e errar menos nas previsões, precisamos de uma perspectiva objetiva do que influencia nossas decisões e como reagimos aos feedbacks.

Com Hogan Assessments