Um estudo conduzido pela psicóloga Maria Konnikova para a Columbia University, dos Estados Unidos, revelou que algumas características tidas como positivas para o processo de tomada de decisão nem sempre podem contribuir para um bom desempenho. A pesquisa foi feita com base em profissionais do mercado financeiro tidos como indivíduos com elevado grau de autocontrole.

O autocontrole é frequentemente visto como uma característica de sucesso no ramo do investimento. O estudo, no entanto, mostrou que esta habilidade não é sinônimo de melhores decisões.

De acordo com a pesquisa, indivíduos com elevado autocontrole frequentemente têm a ilusão de ter controle sobre tudo, até sobre aspectos aleatórios do trabalho, levando-os a assumir riscos excessivos. O estudo revelou ainda que pessoas com forte autocontrole foram incapazes de aprender com os feedbacks e se mostraram mais suscetíveis a terem confiança excessiva em seu julgamento.

Outra informação do estudo é que as experiências positivas também foram associadas a um excesso de confiança e decisões piores entre os indivíduos com alto grau de autocontrole.

Um outro estudo, conduzido pelo psicólogo Robert Kaiser, mostrou que altos níveis de emoções positivas também estão relacionados à redução da criatividade e da flexibilidade. Ou seja, qualquer pessoa que eleve sua habilidade (ou ponto forte), a um grau extremo, pode acabar indo longe demais e perder o seu controle: quanto mais os pontos fortes de um profissional são tidos como “bons demais”, maior é o seu potencial de vulnerabilidade.

Os gerentes classificados como tendo muito de uma determinada característica positiva costumam ser menos eficazes do que aqueles com a “quantidade certa” da mesma característica. Por isso, também temos que temer nossos pontos fortes.

Da força emocional à inteligência emocional

Catalogar as melhores e as piores práticas é um método de tomar decisões melhores. O objetivo da prática, no entanto, não é erradicar as vulnerabilidades, já que todos podem tomar decisões enviesadas em condições de risco ou incerteza. O objetivo, porém, é conhecer as próprias vulnerabilidades para então tomar decisões mais fundamentadas.

Com Forbes