Como ser um bom líder?
athletes

Como ser um bom líder? Bem, em princípio, é necessário saber que aquela velha história de que é impossível medir ou prever o comportamento da liderança já caiu por terra. Bons líderes têm em comum os mesmos traços de personalidade.

Para Tomas Chamorro-Premuzic, CEO da Hogan Assessments, algumas pessoas têm uma grande tendência de tornarem-se líderes, independente do contexto, e essa probabilidade pode ser quantificada por meio de robustas ferramentas de avaliação de personalidade. Na verdade, a ciência tem muito a dizer sobre o potencial de liderança.

Mas quem pode se tornar um líder?

Para Chamorro-Premuzic, as pessoas mais adaptáveis, sociáveis, ambiciosas e curiosas estão mais propensas a tornarem-se líderes. Há também uma alta correlação entre a habilidade cognitiva (QI) e o potencial de liderança. Um nível maior de QI aumenta as chances de uma pessoa tornar-se líder.

Inteligência emocional também é importante. Líderes que são emocionalmente inteligentes têm mais habilidade com pessoas e conseguem manter-se calmos em tempos difíceis.

O que é um líder eficaz?

Stephen Covey, autor do livro “Sete Hábitos de Pessoas Altamente Efetivas”, lembra que fazer gestão é ser eficiente na hora de fazer a escalada para o sucesso. A liderança determina se a escada está apoiada na parede certa.

Portanto, a qualidade da liderança pode ser medida por meio da avaliação da performance do time sob sua liderança, em relação à concorrência. Em última instância, a avaliação do Presidente de uma empresa deve se basear em seus resultados em relação à concorrência de seu mercado. Bons líderes estabelecem os objetivos corretamente, e trabalham com sua equipe para alcançar estes objetivos.

E líderes que valorizam a integridade estão mais aptos a criar uma cultura ética e justa que necessariamente só aumentará a performance de seus times.

Outro aspecto importante é que o gênero também não faz diferença quando o assunto é liderança — isso não afetará o desempenho do líder, mas fatalmente afeta na quantidade de oportunidades oferecidas a homens e mulheres. Por isso que vemos menos mulheres em posições de liderança. De acordo com Chamorro-Premuzic, alguns estudos demonstraram que mulheres são significativamente mais eficazes como líderes no trabalho do que os homens, mas isso provavelmente está ligado ao fato de que as mulheres, quando em posição de liderança, são muito mais exigidas do que os homens.

O lado sombrio da liderança

Nem todo mundo lidera da mesma maneira. A personalidade determina o estilo de liderança. Líderes ambiciosos, e mais “casca grossa” têm um bom perfil como empreendedores, e vão dar foco nos resultados, no crescimento e na inovação. Líderes curiosos e sensíveis tendem a ser mais carismáticos.

Apesar de a ideia de se ter um líder carismático ser mais atraente do que contar com uma liderança considerada eficiente mas não necessariamente querida, o carisma para a liderança tem o seu lado negativo. Esse tipo de líder pode se tornar menos consciente do seu comportamento e imune ao feedback negativo, principalmente por serem extremamente autoconfiantes. Reagem mal às críticas, e ficam totalmente na defensiva. O carisma é uma característica essencialmente masculina – praticamente em todas as culturas os homens são percebidos como mais carismáticos do que as mulheres.

Mais do que isso, o carisma pode refletir traços de personalidade mais difíceis, como o narcisismo e a psicopatia.

Líderes narcisistas têm tendência de se comportar de maneira antiética, o que fatalmente pode afetar seus times, a empresa ou a família. O poder pode ser muito tóxico, e essa é a razão pela qual líderes precisam de coaches que devem regularmente, apontar suas fraquezas e tendências negativas.

Liderança é nata ou aprendida?

A liderança é o efeito da influência genética e também ambiental. Estimativas sugerem que entre 30% e 60% das características de liderança são hereditárias, em grande parte porque os principais traços de caráter que moldam a liderança – personalidade e inteligência – são hereditários.

Entretanto, isso não significa que seja comum que indivíduos com estas tendências hereditárias sejam estimulados ao longo da vida para que elas floresçam e se realizem na prática, pelo contrário. Muitas vezes, é somente na fase adulta que o indivíduo desenvolverá o seu potencial de liderança. Com o coaching, a melhora pode chegar até 30%. Isso também significa que prever a liderança ainda durante a infância com grau razoável de acerto é quase impossível. Assim, aquele garotinho “mandãozinho” no tanquinho de areia não necessariamente se transformará num CEO de uma grande empreiteira.

Existem quatro características básica da liderança competente e, ainda que a base hereditária tenha seu papel, as vivências e aprendizagens desde a primeira infância e até o início da vida adulta influenciam sobremaneira o líder do futuro.

  1. Visão – Líderes competentes são capazes de definir uma visão para seus liderados que é capaz de inspirá-los para seguir o líder e abrir mão de suas motivações individuais em prol da visão do todo.
  2. Competência – Os líderes também são reconhecidos por dominarem competências técnicas e funcionais em seu campo de atuação e capazes de ampliar estas competências por uma busca contínua de autodesenvolvimento, o que passa bem longe da arrogância e complacência de já se achar pronto.

3 – Decisão – A competência de liderança também está associada à capacidade de julgamento para poder decidir de maneira oportuna e acertada na maioria da vezes e de ter humildade para aprender com os erros e mudar, quando tomam decisões erradas.

4 – Integridade – Talvez a característica mais marcante e avaliada nos líderes por seus subordinados é o senso de justiça, equidade e consistência no tratamento das pessoas, sem proteger favoritos ou usar de subterfúgios para ocultar suas falhas.

Se analisarmos estas quatro condições para uma liderança competente e eficaz, vemos que pode haver uma base hereditária e de caráter, mas muito delas é aprendido, por meio de treinamentos e, principalmente, dos desafios vividos pelo profissional, sua capacidade de aprender e se adaptar e os exemplos que adotou de seus próprios líderes eficazes e a maioria dessas características pode ser mensurada por meio de avaliações com validade psicométrica de personalidade.