Perguntas & respostas

Roberto Santos responde: Por que uma pessoa é demitida dias depois de entrar na empresa? Melhor prevenir do que remediar…

Minha filha foi desligada da empresa porque, em seu primeiro dia de trabalho, a pessoa que ela iria auxiliar não gostou que ela a auxiliasse. Tudo o que foi ensinado ela fez correto. Só que, quando terminou o expediente, a profissional disse à chefe que gostaria de mais atividades, pois era muito observadora, e seu perfil não era para aquela área. A dona da empresa não deu chance de conversa, e no outro dia a dispensou, dizendo que não tinha visto o que a colaboradora tinha falado de negativo. Como agir nessa situação? Minha filha ficou passada porque foram ditas coisas que não são verdade.

É compreensível que sua filha fique “passada” por um desligamento tão rápido e estranho. Apesar de parte de seu relato não ser muito claro quanto a quem é a colaboradora, quem é a profissional, a chefe e a dona. Vou assumir um entendimento de que, sua filha foi contratada por alguém que não gostou do serviço e pediu para a dona da empresa desligá-la. Sua consulta se refere ao que ela poderia ter feito ao ser comunicada da inadequação à vaga para “ter tido chance para conversar” — numa empresa normal, com pessoas normais, isso seria o mínimo de retorno e consideração a um profissional contratado.

Ela poderia ter insistido, cobrado para falar com as pessoas que a recrutaram e entrevistaram para entender onde houve falha na descrição de expectativas para o cargo em relação às qualificações de perfil que sua filha apresentou. O que pode ajudar, para não soar agressivo ou desafiador (ainda que merecesse) é solicitar esta oportunidade de conversar visando a uma preparação para futuros processos seletivos. Uma vez nesta conversa, a pessoa que está sendo dispensada, poderia perguntar, se o perfil dela não é para aquela área, poderia ser para outra? Isso se a empresa valer a pena… Entretanto, a reflexão sobre o que fazer para prevenir uma situação similar a esta no futuro é a mais importante.

Erros de seleção têm várias facetas e não cabe elencá-los aqui, mas no caso relatado vejo duas hipóteses mais prováveis; uma que sua filha não teria muito a fazer, a não ser ficar chateada ou revoltada com a incompetência do processo seletivo da empresa, e a outra que poderá ajudar em processos futuros. A menos controlável é que às vezes passam coisas nos bastidores das empresas que nunca ficamos sabendo e o que chega a nós, acaba parecendo ilógico e maluco.

A pessoa contratante poderia ter outra pessoa em mente, até com amizade pessoal, que não teria aceitado o convite antes, mas depois que a empresa decidiu contratar outro profissional, a “amiga” topou, levando à selecionadora ou contratante usar o que conhecemos por “desculpa esfarrapada” para se livrar-se de seu “erro de seleção”.

Prevenir esses casos pouco éticos e profissionais é difícil. Por outro lado, um “pecado” muito comum entre candidatos, especialmente quando estão ansiosos por uma vaga, depois de um período de desemprego, é o de não fazer perguntas ao entrevistador, seja de Recursos Humanos ou da área contratante.

Deixar de fazê-lo, por temer que será mal vista, geralmente acarreta mal entendidos entre o que a empresa espera e o que o candidato poderá entregar. Fazer perguntas e confirmar entendimento mútuo, por outro lado, para um bom entrevistador, mostrará o interesse e a transparência do candidato de querer aceitar a oportunidade. Entrevista de seleção não é uma via de mão única — deve haver comunicação, isto é colocar as informações “em comum” para as duas partes. Boa sorte à sua filha em processos futuros!

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Roberto Santos responde: Acabei de me formar, que rumo eu tomo na minha carreira?

“Estou me formando agora em Relações Internacionais pela Facamp, e tenho a possibilidade de fazer uma bidiplomação em Economia com mais um ano de faculdade. Entretanto, já estou decidido que quero trabalhar em banco de investimento. Gostaria de saber se, na sua opinião, devo completar o ano de economia, ou focar em uma pós- graduação para entrar no mercado?”

Resposta: Seu questionamento é muito pertinente e revela algum paradoxo entre dúvida e decisão quanto às opções colocadas e o tempo pode ser o denominador comum e parte da resposta.

Antes de seguir na análise de sua dúvida, cabe a reflexão — “onde eu quero estar, fazendo o quê, em que cargo, ou em que empresa ou tipo de empresa, daqui a 20 anos?” Já tem isso definido? Ótimo. Agora se você der um “zoom-out” — como se virasse o binóculo ao contrário — e enxergasse o presente momento da sua carreira, lá do futuro, qual caminho terá maior probabilidade de levá-lo aonde quer chegar?

Quando fazemos o “zoom-out” com esse horizonte de 20 anos, as pressões atuais de uma decisão de curto prazo, se relativizam. A ânsia de logo iniciar uma pós-graduação relacionada ao campo que está pensando em trilhar neste momento pode ser revisitada em relação a um investimento de “apenas” um ano que poderá lhe trazer não apenas uma “bidiplomação” que tem sim seu valor, mas poderá agregar conhecimentos que ampliarão sua atuação macro, mesmo no segmento de investimentos. Esta área de interesse poderá levá-lo a uma carreira em bancos, onde Economia poderá ser bem valorizada.

Além disso, você deveria considerar se seu aproveitamento em uma pós-graduação relacionada a banco de investimentos não agregará muito mais se cursá-la quando já tiver experiência na área.

Acredito que a entrada nesse mercado será muito mais facilitada por características de seu perfil pessoal e motivação para a área do que pelo fato de estar cursando ou ter concluído uma pós. Espero ter colaborado com seu “zoom-out” para dar um “zoom-in” e fazer o que for melhor hoje para levá-lo a seu destino de sucesso!

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Roberto Santos responde: Devo largar meu bom emprego para fazer intercâmbio e aprender inglês?

“Sou muito nova, tenho apenas 22 anos, e há três anos trabalho na empresa xxx como técnica. Ganho um salário muito bom, comparado às pessoas da minha idade. Porém, tenho uma enorme vontade de fazer intercâmbio e estudar no exterior durante uns dois anos. Mas a minha grande dúvida é saber se vale a pena largar um emprego em uma empresa conceituada. Mas me sinto estagnada, principalmente por não falar inglês fluente. E já perdi oportunidades por este motivo. Preciso ouvir sua opinião.”

Resposta: Aproveitar o conforto do presente ou apostar nos riscos do futuro?

Parece-me que nesse seu dilema, você se aproxima de um sem número de pessoas que se encontram em encruzilhadas de carreira (vide meu texto sobre este tema no Vya Estelar) em que precisam fazer escolhas que podem impactar seus destinos.

Tão jovem e com uma formação técnica de qualidade que permitiu acesso a uma das maiores empresas brasileiras você deve se sentir orgulhosa e também segura de que tem seu lugar no mercado, mesmo que interrompa temporariamente sua carreira nessa empresa. O Brasil passa por um período de quase “pleno emprego” que aparentemente, durará por muitos anos ainda, como todos torcemos.

Nesses períodos da conjuntura de um país, podemos tomar alguns riscos, pois as chances de se reempregar são melhores. Tomar distância do momento que você vive hoje e olhar para sua carreira no longo prazo, imaginando onde quer chegar e o que precisaria fazer para pavimentar melhor seu caminho até seu destino final, é uma atitude importante a tomar nessa sua encruzilhada ou dilema de carreira.

E, pelo que você cita em sua consulta, você já tem a resposta — tomar uma “rua paralela” hoje, para atender a uma “enorme vontade” e adquirir uma competência tão importante quanto a fluência em inglês, permitirão energizar e acelerar seu trajeto quando voltar para sua “avenida principal” visando ao sucesso na carreira futura.

A alternativa é chegar aos 44 anos ou mais, frustrada porque não realizou seu sonho e inconformada por ver tantas oportunidades perdidas. Assim como você já tem visto, você encontrará outras pessoas que terão investido em adicionar competências que você relegou a segundo plano por causa do foco no presente de sua carreira. Talvez valha mais a pena olhar para o presente que o futuro pode reservar para você com a ideia do intercâmbio agora.

Boa sorte!

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Questionários de personalidade: 6 perguntas comuns

Em alguma etapa da carreira, todo mundo vai responder a um inventário, teste, ou avaliação de personalidade. Isso acontece porque os questionários de personalidade se tornaram bastante populares devido à sua alta capacidade predizer a performance do indivíduo no trabalho.

Segundo a revista Business Insider, ao menos 75% das empresas com mais de 100 funcionários utilizam questionários de personalidade para contratação externa – e esse número tem aumentado.

Geralmente, os testes são utilizados para avaliar traços de personalidade como competência, ética no trabalho, inteligência emocional, entre outros.

Tomas Chamorro-Premuzic, CEO da Hogan Assessments, uma das maiores empresas de avaliação de personalidade do mundo e uma das  poucas cujos testes foram criados exclusivamente para o ambiente corporativo, enumerou seis perguntas frequentes que sempre aparecem nos questionários de personalidade, e o significado de suas possíveis respostas.

Ainda que isso pareça o “mapa da mina” para alguns candidatos, tenha em mente que não existe resposta ideal. A “melhor resposta” só o recrutador sabe qual é — e está relacionada ao cargo, aos valores da empresa, e à cultura organizacional, portanto, tentar trapacear nos testes de personalidade não é uma opção inteligente. Mais do que isso, o empregador lerá as respostas com vistas a entender quais são os traços de personalidade do candidato, valores e habilidades.

Veja as perguntas mais comuns e suas possíveis interpretações de respostas:

1. Eu gosto de todo mundo que eu conheço. (respostas possíveis: sim ou não)
Para Chamorro, a pergunta avalia a empatia e a sensibilidade da pessoa. Quem responde “sim” tende a ser mais sociável e a considerar as necessidades dos outros.

Esse é um aspecto que pode se relevante para cargos no qual o profissional vai interagir diretamente com outras pessoas e cuidar delas, como atendimento ao cliente e ONGs. Entretanto, algumas vezes essa pergunta pode ser feita para identificar um mentiroso, ou alguém que está fingindo ser bom, afinal de contas é impossível gostar de todo mundo.

2. Altos impostos fazem as pessoas tornarem-se preguiçosas. (respostas possíveis: sim ou não)
Escolher o ‘não’ pode indicar que uma pessoa tem um alto nível de empatia, e é orientada aos outros. Entretanto, é possível que o recrutador utilize a resposta para tentar entender qual é a orientação política do candidato. Um ‘sim’ aqui pode significar alguém mais inclinado à direita, e também mais individualista.

3. Eu prefiro fazer as coisas mais rapidamente do que de maneira perfeita. (respostas possíveis: sim ou não)
De acordo com Chamorro, essa pergunta pode ser usada para avaliar o nível de perfeccionismo de alguém, e o quão proativa essa pessoa é. Quando uma pessoa escolhe o ‘sim’ como resposta, geralmente ela é bastante proativa e consegue operacionalizar mais as suas ideias. Geralmente, são pessoas rápidas e que passam logo para a próxima tarefa.

Quem responde ‘não’ para esta pergunta, entretanto, é mais perfeccionista, tem mais consciência de si mesmo, é mais rigoroso e prefere qualidade à velocidade e quantidade.

Esse perfil de pessoas é ideal para pesquisa, inovação e trabalhos envolvendo design.

4. Eu nunca menti na vida. (respostas possíveis: sim ou não)
Essa pergunta é geralmente utilizada para entender o nível de integridade e honestidade do candidato. Esse aspecto é importante em todos os cargos, mas para a liderança isso tem um peso enorme – é a característica de personalidade que as pessoas mais procuram nos seus líderes.

Essa pergunta também pode ser uma pegadinha: no senso comum, tende-se a assumir que quem responde ‘sim’ é mais íntegro. Na realidade, pessoas com baixo nível de integridade tendem a responder ‘sim’. Ou seja: quem responde ‘não’ demonstra ter mais integridade.

5. Meus pais nunca me amaram de verdade. (respostas possíveis: sim ou não)
Essa pergunta não é fácil de ser interpretada, e geralmente está voltada para a avaliação do quociente emocional de uma pessoa. Segundo Chamorro, quando alguém responde ‘sim’ geralmente tem um baixo nível de inteligência emocional – que é a medida para entender o quanto uma pessoa tem a habilidade de permanecer calma sob pressão, otimista, e vendo as coisas sob uma perspectiva positiva.

Quando o candidato responde ‘não’, geralmente é mais calmo e equilibrado, tem um visão de si mesmo mais positiva e é mais ajustável. Ainda que a inteligência emocional seja sempre importante, esse traço de personalidade vai realmente fazer a diferença em cargos que requerem o relacionamento interpessoal.

6. Meu destino é ser famoso. (respostas possíveis: sim ou não)
Segundo Chamorro, essa pergunta pode medir o quão ambiciosa uma pessoa é. Quem responde ‘sim’ geralmente é mais focado, e tem uma grande expectativa de sucesso. Isso também pode indicar que esse profissional está mais inclinado a trabalhar duro. Entretanto, pesquisas mostram que quem diz ‘sim’ é tipicamente mais narcisista.

Por fim, é importante lembrar que todas essas interpretações realmente dependem de como os empregadores avaliam as respostas. “A maioria dos cargos de liderança, por exemplo, vai procurar por candidatos ambiciosos e focados nos seus objetivos, que pensam muito em si mesmos. Entretanto, a liderança é um recurso para o time, então esse líder também precisará ser humilde e centrado nos outros,” avalia Chamorro.

O que mais conta numa avaliação de personalidade dentro de um processo de seleção ou de avaliação interna de perfil visando um processo de desenvolvimento é a sinceridade e autenticidade integrais pois a consistência e coerência entre as várias respostas terá um peso muito maior do que as escolhas individuais de respostas quando tentamos adivinhar o que é certo ou errado. Quando se fala que não há tal certo ou errado em avaliações de personalidade não é conversa fiada. Assim responder honestamente aumentará sua chance de não receber um perfil de Frankenstein daqueles de Halloween.

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Roberto Santos responde: Fui demitida de um emprego em que estava muito feliz. O que faço?

“Tanto que acumulei as funções de minha coordenadora e dava tanto conta, que ela acabou se sentindo ameaçada e me despediu. O que mais me deixou triste foi ver que a empresa acobertou tudo em nome de um círculo antigo de ‘amizades’. Desde então, estou ajudando meu marido na empresa dele, que não é da minha área de formação. Vendi tudo que estava financiado e não sei que lugar tomar; pois ainda convivo com o fantasma que não tenho competência nem pra ser empregada nem empresária.”

“Chefe incompetente precisa receber elogios para sobreviver…”

Resposta: Às vezes precisamos mesmo recorrer àquela firma de um filme da década dos anos 1980 – Os Caça-Fantasmas – para nos ajudar a lidar com os fantasmas que nos rondam internamente e perturbam nossa carreira e existência.

Bom saber que para caçar fantasmas em nossa carreira, não precisamos de equipamentos esquisitos como aspiradores de ectoplasma como os usados naquela comédia. O que sim necessitamos é uma revisão de dados, fatos, relatos, indicadores sobre o que fizemos em nossas experiências profissionais. Que competências desenvolvemos ao longo de várias passagens por empresas que se traduziram em implementação de projetos, tomada de iniciativas de impacto, ideias criativas que contribuíram para resolver um problema e a contrapartida desse aporte de trabalho, qualificações, energia e motivação. Ou seja, as promoções, aumentos, elogios nas avaliações de desempenho, além de agradecimentos genuínos de colegas, subordinados e/ou chefes. Se você acumulou funções de sua coordenadora, imagino que foi por competência e não por rebeldia.

Talvez, possa ter faltando um pouco de habilidade política de deixá-la brilhar com seu trabalho, apoiá-la e elogiá-la publicamente, pois muitas vezes é o que a maioria dos chefes incompetentes precisa para sobreviver — pelo menos por algum tempo. Agora passou e você precisar olhar para frente e tirar os fantasmas da frente e substitui-los pela convicção de poder repetir em outra empresa tudo que fazia de bom naquele emprego por sua competência.

Por mais que tenham sido muito reais para você em sua demissão, fantasmas são as “acobertações de círculo de amizades” – essas não são sustentáveis. Aguarde e acabará sabendo por algum colega daquela empresa o que acontecerá com aquela “formação de quadrilha”. Retome o trabalho em sua área de formação e que lhe traz satisfação e deixe os fantasmas para o passado.

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Roberto Santos responde: Fui reprovada na entrevista individual, mas surgiu uma nova chance. O que fazer?

“Há uns 7 meses participei de uma seleção interna na empresa em que trabalho, cheguei até a etapa final, porém não fui aprovada na entrevista individual. Agora terá outra seleção para uma outra vaga no mesmo cargo, estou com receio de participar, o que fazer?”

Resposta: O slogan de uma rádio de notícias que costumo escutar é “em 20 minutos tudo pode mudar” e eu complementaria em resposta a você… “imagine em sete meses!” Então, começando com uma resposta direta, você não deve ter receio de participar novamente desse processo, salvo se da primeira vez foi dado um feedback direto a você sobre algo que lhe faltava – conhecimentos ou habilidades – e você não buscou adquiri-los ou desenvolvê-los, o que assumo que não tenha sido o caso.

Excetuando-se esta hipótese, em sete meses, o cargo e seus requisitos podem ter mudado, as pessoas responsáveis pela seleção podem ter sido substituídas, ou pelo menos, com certeza você mudou – tem mais sete meses de experiência, de vivência na empresa, de maturidade e por que não testá-lo? Melhor ser testada novamente e não ser aprovada, do que ficar com aquela dúvida do “… e se eu tivesse participado e passado…”.

O fato de ter chegado à etapa final, me indica que o processo constou de várias fases e, talvez, a decisão final entre você e uma ou duas outras finalistas acabou tendo como critérios aspectos mais subjetivos do que objetivos – aquela história de “química pessoal” e essa poderá mudar se os personagens do processo forem outros, ou a experiência nos sete meses com a pessoa escolhida então, se mostrou enganada, logo suas chances podem ser maiores.

A verdade segura é que só haverá uma maneira de saber e esta você já sabe – inscreva-se e sendo ou não sendo aprovada, peça um feedback para seu desenvolvimento futuro, este é um direito seu e exercê-lo valoriza-a como profissional que pensa em seu autodesenvolvimento.

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Roberto Santos responde: Cada vez me decepciono mais com todos. Será que o problema está comigo?

“Cada vez mais me decepciono mais com as pessoas, até mesmo em minha família. Já me questionaram: Será que o problema não está em você?”

Resposta: Podemos nos decepcionar com outras pessoas quando nossas expectativas não são atendidas, também nos decepcionamos quando as intenções por trás de nossas ações não são compreendidas pelos outros e recebemos represálias, reações inesperadas e até agressivas.

Expectativas não atendidas, intenções não compreendidas, decepções com a vida como aquelas que você está sentindo podem ter várias prováveis causas. A principal candidata ao banco dos réus contudo, deve ser a famosa comunicação, tão citada como a grande vilã quando as incompreensões arrasam amizades, amores e até carreiras.

A mesma comunicação que pode ser a solução para negociações milionárias ou conflitos familiares pode ter efeitos devastadores quando não cuidamos de habilidades básicas. Obviamente, falar com clareza, objetividade, usando adequadamente a linguagem tanto a verbal – incluindo o tom de voz e a escolha correta de palavras, como a não verbal – postura corporal e expressões faciais, são habilidades importantes e mais difíceis do que parecem.

Entretanto, a habilidade de comunicação menos abordada em cursos e mais culpada para desentendimentos e decepções, é o ouvir ativamente. Ouvir com atenção e confirmar que estamos compreendendo o que nosso interlocutor está tentando comunicar já é um primeiro passo importante e não muito fácil. O mais comum é começarmos a ouvir e já iniciarmos a pensar nas respostas que vamos dar, sem antes ter compreendido o que a outra pessoa disse ou tentou nos dizer.

Cometemos este “pecado” ensurdecendo nossos ouvidos e nossa disposição de nos comunicar. Afinal, comunicação, que vem do latim: comunicare, significa colocar algo em comum entendimento. Se não nos abrimos para ouvir, depois entender o que ouvimos e confirmarmos se nosso entendimento se confirma, podemos acelerar a conversa, mas acabamos despencando em abismos de incompreensões e decepções.

Finalmente, na situação que você coloca, talvez os dois lados estejam certos ou errados, pois comunicação se faz a a dois e, como dizia minha avó, quando um não quer dois não brigam… Com algumas exceções, as pessoas não são cruéis propositalmente ou não decepcionam outros intencionalmente. Procure experimentar sair dessa posição vitimista e procure protagonizar novas bases para sua comunicação com amigos e familiares.

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Roberto Santos responde: Meu potencial empregador é meu atual cliente. Seria antiético abordá-lo?

Já há algum tempo penso em mudar de emprego e encontrei poucas alternativas. Umas das que me interessou, porém, levanta-me uma questão ética: Devo abordar o cliente (potencial empregador) da empresa onde trabalho, visto que tenho as competências para desempenhar o cargo para o qual estão recrutando pessoal?

Resposta: Primeiramente, tenho que elogiá-la por reconhecer o problema ético com o qual se deparou em seu caso.

Ignorar o dilema poderia até facilitar sua vida, mas abriria um precedente em sua carreira que poderia significar um mau começo no novo empregador e uma saída com o pé esquerdo do atual. É claro que todas as pessoas devem ter liberdade para decidir onde vão trabalhar quando não se sentem satisfeitas no emprego atual.

Principalmente, das últimas duas décadas para o presente, a troca de empregos com uma frequência maior deixou de ser algo criticado e repudiado em processos seletivos. Quando se está empregado, temos um dever para com nosso empregador primordialmente; um dever que poderia ser chamado de lealdade, ainda que essa não signifique qualquer impedimento para buscar alternativas de emprego como você menciona ter feito.

Entretanto, ao se interessar por um trabalho em um cliente de seu atual empregador, a situação fica um tanto cinzenta. Abordar um cliente de sua empresa atual onde há uma vaga que lhe interessa, pode implicar em uma série de riscos: ser repelido pelo cliente pelo mesmo dilema ético ou não atender os requisitos ou de ficar mal com seu atual empregador por ter abordado o cliente sem que ele soubesse.

Em iniciativas audaciosas com potencial de sucesso, costumam existir riscos associados. Tratamos aqui não do risco de tentar um emprego e não conseguir, mas do risco de ferirmos a ética com o atual empregador. Assim, a melhor recomendação é a de solicitar a autorização do chefe para fazer uma abordagem clara e transparente ao cliente sobre a vaga.

Corre-se o risco de se “queimar” com a chefia atual é verdade, mas não por falta de ética. Olhando pelo lado positivo, há a chance de ser liberado pelo chefe atual para buscar a oportunidade em outra empresa e ser bem- sucedido. Além do mais, não é raro encontrarmos situações em que “ceder” um talento para um cliente é mais uma forma de satisfazê-lo como cliente preferencial. De qualquer maneira, ficar do lado da ética é sempre o melhor caminho.

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Inventário Hogan HPI: 3 milhões já realizados!

O Inventário Hogan de Personalidade – a primeira ferramenta criada por Robert Hogan para avaliar a personalidade normal – atingiu em maio a marca de 3 milhões de avaliações realizadas! Isso significa que a ferramenta é líder na avaliação de personalidade no mundo.

O Inventário Hogan de Personalidade (HPI) é considerado o padrão de medida da personalidade normal por causa de sua capacidade, comprovada cientificamente, de predizer o comportamento profissional. Por meio de sete escalas, o HPI identifica o “lado luz” da personalidade — aquilo que vemos quando as pessoas estão em seus melhores dias.

O instrumento se baseia nos estudos realizados há mais de 30 anos pelo pelo Dr. Robert Hogan, um dos pioneiros na Teoria Socioanalítica da personalidade que partiu do conhecido Modelos dos Cinco Fatores, padrão da moderna ciência da personalidade que ele expandiu para sete dimensões medidas pelo HPI: ajustamento, ambição, sociabilidade, sensibilidade interpessoal, prudência, inquisitivo e abordagem à aprendizagem. O nível apresentado em cada traço e suas combinações permitem a seleção da pessoa certa para o lugar certo, o apoio para o desenvolvimento de indivíduos pela ampliação de seu autoconhecimento e orientação em transições de carreira. Um diferencial do HPI é que foi projetado para uso no mundo corporativo e não adaptado da psicologia clínica como a maioria dos testes psicológicos. Além disso, diferentemente desta maioria de testes de origem clínica, o HPI possui validade comprovada cientificamente para predizer o sucesso ocupacional, logo permitindo seu uso em processos de seleção e assessment.

O HPI mede a personalidade normal a partir de sete escalas:

Ajustamento: confiança, autoestima, e comportamento sob pressão;

Ambição: iniciativa, competividade, e desejo por cargos de liderança;

Sociablidade: extroversão e necessidade de interação social;

Sensibilidade interpessoal: tato, empatia e habilidade de preservar relacionamentos;

Prudência: disciplina, responsabilidade e atenção a processos e detalhes

Inquisitivo: imaginação, curiosidade e potencial criativo

Abordagem a aprendizagem: valorização da educação e formas preferidas de aprendizagem

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Como ingressar, se manter e se recolocar no mercado de trabalho

O consultor Roberto Santos, sócio-diretor e fundador da Ateliê RH – com mais de 30 anos de experiência em RH de organizações multinacionais de grande porte -, responde questões essenciais relacionadas ao emprego: como ingressar, se manter e se recolocar no mercado de trabalho.

Ingressar no mercado: estagiário ou escraviário?

Para quem ingressou na faculdade, quando iniciar um estágio?

Roberto Santos – Estágio profissional, principalmente quando se consegue estagiar numa área diretamente relacionada, o quanto antes melhor. Mesmo que ainda não se tenha muita noção da relação teoria e prática, a convivência com o ambiente de atuação profissional futura é muito positiva.

Quais critérios utilizar para escolher uma empresa para estagiar?

Roberto Santos – Os critérios não devem ser muito diferentes daqueles usados das melhores empresas para se trabalhar: ambiente físico e social de trabalho e gestão de pessoas focados em respeito ao indivíduo e oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional. Além desses genéricos, saber há quanto tempo a empresa tem um programa estruturado de estágio, conhecer esta estrutura, saber o percentual de aproveitamento em efetivação e, se possível, conversar com ex-estagiários dessa empresa é o que pode fazer a diferença entre ser um estagiário e um “escraviário”.

Esse estágio dever ser remunerado?

Roberto Santos – Trabalhar no que se gosta, aquilo que nos dirigiu a um vestibular e um curso superior já é muito bom. Receber uma remuneração direta e/ou indireta por isso, é melhor ainda! Infelizmente, nem sempre o jovem profissional que precisa pagar seus estudos consegue largar seu emprego para iniciar um estágio não remunerado. Na realidade, o estágio não deve ser remunerado como um empregado efetivo, embora seja correto que as empresas ofereçam pelo menos uma “bolsa auxílio”. Aliás, as empresas que levam a sério seu programa de estágio costumam oferecer, além de uma bolsa atrativa, alguns benefícios, e são essas que devem ser o alvo dos estudantes que estão buscando oportunidades de estágio.

Currículo não substitui entrevista, mas deve ser uma ‘propaganda atrativa’

Quais dicas essenciais o senhor daria para preparar um currículo?

Roberto Santos – Na Internet, em livrarias e bancas de jornais existem centenas ou milhares de manuais com dicas de todos os tipos para se preparar um currículo. Então é quase impossível adicionar algo de novo ou revelador neste campo. Acho que meu resumo para esta resposta é o seguinte: (1) pense em quem vai ler o CV – ele/ela tem que entender o que você está querendo dizer, não apenas você; (2) no Brasil se utiliza o Português e seu uso correto já é um passo importante para uma pessoa esclarecida ler seu CV até o fim; (3) ter qualificações iguais a todos os prováveis candidatos a uma vaga não vai diferenciar seu CV de uma pilha deles ou em uma planilha de Excel. Se você acredita que tem um diferencial, garanta que ele seja comunicado e (4) o CV não substitui a entrevista, ele tem que ser uma “propaganda” atrativa sobre seu potencial de contribuir com a empresa à qual você está se candidatando para que a mesma queira chamá-lo(a) para uma entrevista… É verdade, o melhor CV é aquele que se ajusta a vagas específicas. Parte-se de um “padrão”, mas ele precisa ser burilado com foco na vaga que estamos interessados.

Quais são os procedimentos para ser bem-sucedido numa entrevista?

Roberto Santos – Conhecer sobre a empresa e, se possível, sobre a oportunidade que está em aberto. Ir preparado para responder perguntas dos selecionados, mas também fazer perguntas (inteligentes e bem informadas) sobre a empresa e a vaga. E, mais importante, ser quem se é. Conseguir um emprego para outra pessoa, pode ter um prazo de validade baixo e logo se estraga no mercado de trabalho.

Manter o emprego: matar um leão por dia

O que é essencial para virar a ‘menina dos olhos’ da empresa e até se tornar a ‘prata da casa’, se é que isso ainda existe?

Roberto Santos – A “prata da casa” só se mantém na mesa da casa se estiver sendo constantemente polida e adequada a sua finalidade. A antiguidade ou senioridade como critério para promoção, aumento salarial e mesmo para se preservar um emprego é algo que está tão em desuso como anil para lavar roupa. Hoje a gente tem que se provar diariamente com desempenho e resultados, além de postura alinhadas aos valores da empresa – integridade, respeito aos outros, etc.

Recolocação no mercado

Existe um ‘prazo limite’ para a pessoa se recolocar no mercado?

Roberto Santos – Talvez simplificando em demasia, o prazo limite depende muito do nível e experiências anteriores do profissional, por um lado, e do que a pessoa ficou fazendo enquanto esperava a recolocação. Para um diretor se recolocar, o tempo é maior do que o de um gerente, que é maior do que o esperado para um técnico e assim vai…

O limite também tem que ser dado pela saúde mental da pessoa que está esperando. Não existe um número ótimo. Para quem está desempregado, é sempre, o quanto antes!!

Se extrapolar este prazo a pessoa deve pensar em redirecionar sua vida profissional?

Roberto Santos – De novo, não existe uma única resposta certa para essa pergunta… Mudar de carreira pelo motivo de estar tomando mais tempo do que o esperado para se recolocar na mesma área ou campo pode ser a decisão correta para o problema errado… ou vice-versa. Claro que é mais fácil falar do que fazer quando se tem contas a pagar, mas é importante não se enganar com mudanças de rota motivadas pelos juros bancários e diferenciá-las daquelas geradas por uma real mudança de carreira, caso contrário, aliviamos um problema e criamos outro.

Como se recolocar no mercado?

Roberto Santos – Acima de tudo, a rede de relacionamentos que se cultivou durante o período em que se estava empregado, é sabidamente o principal alavancador de recolocações no mercado. Só que isso não se conquista da noite para o dia e, especialmente, no dia em que recebemos o “cartão vermelho”. Como uma planta que começamos a cultivar em nossos primeiros anos de escola, nossa rede de relacionamentos precisa ser regada e provida dos nutrientes de contatos frequentes para estar rendendo frutos quando temos sede do apoio de amigos e colegas.

Por Vya Estelar

Como ingressar, se manter e se recolocar no mercado de trabalho
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