As pessoas, de um modo geral, cometem decisões ruins o tempo todo, no entanto, está claro que algumas pessoas possuem uma capacidade de julgamento melhor do que outras. Por exemplo, estima-se que 25% das pessoas nas redes sociais já postaram algo que mais tarde se arrependeram; levantamento do IBGE ano passado apontou registro de 324,9 mil divórcios e, na última década, a indústria de remoção de tatuagens aumentou em 440%.

Apesar dos pequenos erros que cometemos diariamente, existe um número impressionante de indivíduos que tomam decisões erradas arruinando suas carreiras. É mais notável ainda constatar quantos desses indivíduos são na realidade seres inteligentes. Por que tantas pessoas espertas tomam tantas decisões ruins?

Para a comunidade científica, a inteligência é mensurada por testes de QI. Embora esses testes sejam utilizados para prever desempenho acadêmico, e em menor grau a performance no trabalho ou a efetividade na liderança, a experiência nos mostra que pessoas com alto QI ainda estão fortemente suscetíveis a tomar decisões ruins. Há três razões para isso:

  1. Diferentemente de testes de QI, a maioria dos problemas que surgem na vida real não apresenta uma solução objetiva. Ao contrário, algumas decisões resultam em consequências melhores que outras, contudo, só podemos descobrir depois do fato consumado. Como Steve Jobs uma vez observou, você só consegue ligar os pontos olhando para trás.
  2. Nossos cérebros estão sobrecarregados e exaustos. Um indivíduo dos Estados Unidos, em média, absorve uma quantidade de informações diárias equivalente a 34GB. Julgamentos lógicos e baseados em dados exigem uma grande quantidade de processamento, portanto, nossos cérebros criam atalhos no subconsciente que nos ajudam a navegar por essas inúmeras decisões que tomamos todos os dias de modo a amenizar o esforço cognitivo.
  3. Todo mundo comete erros. Na realidade, alguns estudos sugerem que a taxa para a tomada de decisões ruins chega a 50%. Infelizmente, quando a maioria das pessoas é confrontada com a notícia de que cometeram uma decisão errada, se torna pouco disposta a admitir que errou. Ao invés disso, as pessoas tendem a reagir com uma combinação de três características:
  • Ficar na defensiva – pessoas que reagem emocionalmente a um feedback. Elas culpam os outros, as circunstâncias, o tempo e outros fatores que estão além do seu controle.
  • Negação – pessoas que se recusam a reconhecer os fatos, ignoram feedbacks, consideram o fracasso como um sucesso ou apenas preferem continuar como se nada tivesse acontecido.
  • Evitar confronto – pessoas que aparentam admitir o erro e ouvir o feedback mas, na verdade, estão apenas encenando para evitar um confronto.

 

Como tomar decisões melhores (e evitar parecer um estúpido)

No mundo real, não há tempo ou informação suficiente para tomar decisões racionais e, mesmo se houvesse, não há fórmulas pré-definidas para solucionarmos todos problemas que temos. Por outro lado, há saídas que podem ajudar a mitigar nossos maus hábitos ao tomar decisões. Uma consultoria baseada em dados e um coaching competente certamente contribuem para entender melhor como uma pessoa normalmente pensa e como costuma distorcer a realidade a seu favor. Por fim, cada erro cometido deve ser aproveitado como uma oportunidade para refletir e tornar-se mais esperto, o que contribui para diminuir a repetição de erros cometidos anteriormente.

Com HR Examiner