Posts on Jan 1970

Conheça três maneiras de falhar melhor

Você toma milhares de decisões todos os dias, das mais complexas às mais simples. As chances são de que, em algum ponto, você vai errar em uma delas.

Não se preocupe, todo mundo erra. De fato, alguns estudos sugerem que a taxa base de más decisões chega a 50%. Infelizmente, quando a maioria de nós é confrontada com a notícia de que fez uma escolha ruim, não há disposição de admitir o erro. Em vez disso, discutimos, racionalizamos e tentamos nos salvar a custo de tempo, recursos e respeito de nossos colegas e funcionários. Aqui estão três maneiras de falhar melhor:

  1. Mantenha a calma

Algumas pessoas reagem aos erros com demonstrações emocionais. Respire, conte até dez e lembre-se de que pesquisas mostram que pessoas que se mantêm calmas são mais suscetíveis a reconhecer seus erros e mudar de caminho quando necessário.

  1. Assuma a culpa

Algumas pessoas reagem a feedbacks negativos com desvios e negação. Elas podem se recusar a reconhecer fatos, ignorar feedback, difundir o fracasso como sucesso ou querer seguir em frente. Outros são mais suscetíveis a considerar os fatos, apontar falhas e usar o feedback negativo para melhorar decisões futuras. Os que aceitam feedback negativo são mais bem preparados para corrigir erros e melhorar a tomada de decisões no futuro.

  1. Esteja aberto a feedback

Pode ser difícil aceitar feedback negativo, especialmente quando vindo de colegas ou funcionários. Resista à tentação de descartar todas as reclamações de seus parceiros, comentários paralelos e críticas. Pessoas que se engajam e internalizam feedback negativo são menos suscetíveis a repetir seus erros.

Mantendo a calma, aceitando a culpa e internalizando o feedback, é possível manter a credibilidade através das falhas, aprender com elas e evitar repeti-las.

Com Hogan Assessments

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Bem-vindo a bordo ou salve-se quem puder

Por Roberto Santos

Parodiando aquele famoso comercial da Década de 80 sobre sutiãs, os primeiros dias em um novo emprego, a gente nunca se esquece. E, infelizmente, para a maioria das pessoas, a experiência não costuma ser inesquecível por boas razões. Por melhor que seja a embarcação, subir a bordo sempre traz inseguranças e dúvidas sobre se poderemos contar com a tripulação para atingirmos nosso destino sãos e salvos.

Já se comprovou em pesquisas que muitas vagas que levaram meses para serem preenchidas, depois de encontrado o candidato que se crê ideal, desocupam-se novamente nos primeiros sete meses de serviço. A causa mais provável desse acidente de percurso e desperdício de investimento em recrutamento e seleção é a escassa atenção à integração dos novos tripulantes.

Enganam-se os gestores de RH, com a ilusão de que findo o demorado e árduo processo de contratação, tudo conspirará a favor da pronta adaptação do estranho no barco. Engana-se o novo colaborador que se via como visitante e agora passa a integrar a tripulação, com altas expectativas da parte de todos, achando que todos os colegas e chefes estarão dedicados a facilitar seu período de aculturação e treinamento.

Batalhas inglórias de alguns heróis e heroínas de Recursos Humanos que entra década e sai outra, tentam viabilizar um processo de integração de novos funcionários que facilite a vida do marinheiro mais novo e a retenção de seu talento. As famosas “palestras de integração” em audiovisuais modestos com os quase extintos slides do início de minha carreira, passaram para vídeos, DVDs e chegaram à intranet globalizada em altas produções, movidas a tecnologias interativas sofisticadas.

Ainda assim, os fracassos dessas iniciativas se sucedem nas empresas – prioriza-se a cascata de informações e se esquece do apoio e engajamento humanos. Planos mirabolantes e complexos de padrinhos, tutores e mentores são criados pelas organizações que também acabam morrendo na praia em muitos casos.

O novo tripulante precisa, sem dúvida, saber da história e das dimensões da nau que o embarcou; ajuda, de fato, saber das atrações especiais e onde fica o salva-vidas, para casos de emergências. No entanto, são as sutilezas da cultura, aquelas não escritas nos manuais de operação daquele equipamento que podem ser subestimadas por ambas as partes. O chefe de cada departamento e seus subordinados diretos são os responsáveis pelo processo de garantir uma abordagem e uma viagem prazerosa e produtiva para todos.

Então, o que é que cabe a cada parte envolvida nesse processo – comandante e tripulação de um lado e o novo colaborador de outro?

Comandante e equipe

Uma das missões indelegáveis de um gestor é a responsabilidade (ainda que “terceirize” certas tarefas desse processo) pela facilitação do processo de integração de um novo membro na equipe e isso inclui, pelo menos:

  • Rever com o novo contratado suas atribuições de cargo, incluindo os indicadores de desempenho bem-sucedido, as prioridades para os seis primeiros meses e as interfaces de clientes e fornecedores internos para realização de seu trabalho;
  • Apresentar os novos colegas (que idealmente deveriam ter sido envolvidos na fase final de seleção…) e provocar trocas de expectativas e contribuições potenciais de ambos os lados para um “contrato relacional” eficaz ajuda a limpar canais de comunicação ainda no começo da relação. Como sabemos, discutir a relação mais tarde é sempre mais trabalhoso e frustrante;
  • Fazer um “check-list” sobre as regras, procedimentos, políticas, benefícios, etc que poderão ser cobrados e/ou usufruídos nas primeiras semanas do recém-chegado é um ótimo preventivo de mancadas que depois afetarão a imagem de forma negativa;
  • Conversar sobre aquelas sutilezas culturais e regras do que pega bem e o que é inaceitável na organização pode parecer perda de tempo e algo subestimado mas pode salvar o novo marinheiro a ser colocado na prancha como o Capitão Gancho com destino às presas dos crocodilos famintos;
  • Acompanhar o processo de aprendizagem e integração diariamente na primeira semana, passando a semanal, mensal e depois conforme a necessidade.

Em outras palavras, o Chefe deve passar a certeza ao novo membro de sua área de trabalho de que ele(a) não é um(a) clandestino(a) e poder ficar tranquilo de que essa atenção dedicada ao processo de boas vindas a bordo acabará por resultar em engajamento e resultados.

O novo tripulante

Marinheiros de primeira viagem em uma nova embarcação precisam estar alertas aos perigos na hora de abordar e em alto mar para que não sofram as náuseas da carreira despencando logo no começo:

  • Querer mostrar serviço para que ninguém tenha dúvida de que você era o(a) melhor candidato(a) que poderia ter passado no processo seletivo, antes de que tenha entendido o que, como e por que fazer ou não fazer pode ser uma iniciativa arriscada;
  • Achar que se deve ter resposta a todos os problemas é um risco complementar ao anterior, pois queremos assegurar a nossos interlocutores de que somos inteligentes e experientes. Entretanto, o que eles mais querem é mostrar o quanto eles sabem mais do que você, pelo menos no contexto da sua empresa. Aqui, você é o ignorante. Assumir essa condição com humildade e perguntar sobre como tudo funciona ali, é a postura mais sábia a adotar em seu primeiro mês, pelo menos;
  • Segundo o princípio Danuza Leão, geralmente não se tem uma segunda chance de causar uma primeira impressão positiva. Por isso, não se engane, quando você acaba de chegar a qualquer grupo novo, você estará todo o tempo na vitrine, até que já faça parte da paisagem do lugar. Portanto, cuide de sua imagem, do que faz, do que diz ou deixa de dizer;
  • Falar demais do emprego anterior é outro pecado comum de calouro corporativo. Nem sempre falamos do último emprego para uma comparação depreciativa em relação ao novo empregador, mas para quem está recebendo o estranho em sua casa, não se quer saber dos próprios podres ou de que há melhores paragens além-mar. Fazer comentários gratuitos sobre como a grama de seu ex era mais verde pode ser arriscado; porém, responder à curiosidade dos colegas, com descrições parcimoniosas e factuais sobre a outra empresa, é uma forma bem mais segura para não se ferir susceptibilidades;
  • Assumir rancores e desilusões alheias, seja sobre pessoas, projetos ou políticas, pode ser uma tentação, mas comprar o peixe do jeito que querem lhe vender, pode fazer com que você acabe com alguma podridão gratuita em seu colo. Espere para ter a sua experiência com aquelas pessoas ou situações para tirar as suas próprias conclusões;
  • Outra tentativa de sedução de sereias do ambiente de trabalho é o convite para fazer parte das famosas panelinhas. Na busca de agradar alguns interlocutores entramos precocemente para o clube dos “contra-o-gerente-do-outro-departamento” e compramos brigas que não são nossas. O risco de escorregar da panela direto para uma frigideira é muito grande. Por isso, manter-se imparcial como um astuto lobo do mar, é a atitude mais segura na viagem que acaba de iniciar.

Ambas as partes podem contribuir para que a carreira de uma pessoa ou a reputação de uma empresa como um bom lugar para se trabalhar esteja marcada para o naufrágio ou para a chegada celebrada ao destino almejado do navio. A tripulação precisa mostrar ao novato onde ficam os botes salva-vidas e ambas as partes devem se esforçar para que nunca precisem ser usados.

Com Vya Estelar

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O que é uma boa capacidade de julgamento… De verdade?

Por Michael Sanger

Um boa habilidade de julgamento não se trata de ser inteligente. Nem de tomar boas decisões. A essência do bom julgamento é aprender com os erros do passado. Trata-se de aplicar o feedback à próxima oportunidade de modo a não repetir desnecessariamente os erros ou continuar a seguir um caminho que não está dando certo. Refere-se a manter-se aberto a rever o cenário e entender que resultados inesperados são ocorrências reais e prováveis. Embora cerca de metade das nossas decisões levem a consequências não intencionais, não quer dizer que sejamos tão bons quanto as chances de tomá-las. Isso significaria que bastaria jogar uma moeda e esperar pelo sucesso. Em vez disso, se todos puderem aceitar que cada um de nós traz vieses inerentes a uma situação, podemos aumentar nossa autoconsciência estratégica para monitorar melhor as mudanças de parâmetros e reajustá-las de acordo. Julgamento, logo, tem menos a ver com acertar e mais sobre as características pessoais e cognitivas que permitem recalibrarmos nossas escolhas e melhorar continuamente.

Abaixo estão três exemplos de líderes de negócios bem conhecidos cuja boa capacidade de julgamento os levou ao sucesso.

Alibaba: a história de “1001 erros”

No início dos anos 2000, Jack Ma, fundador da empresa chinesa de e-commerce Alibaba, decidiu realocar sua sede nacional de Hangzhou para Shangai, o tão famoso centro de negócios da China, e mover sua base global para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, na Califórnia. Descobriu-se que o ambiente não era o ideal para a empresa. A sede nos Estados Unidos levou um grande golpe quando a bolha das empresas “.com” explodiu, enquanto o escritório de Shangai enfrentava dificuldades para alcançar as pequenas empresas manufatureiras interessadas em se tornar globais (a espinha dorsal de seus negócios naquela época, na qual havia poucos em Shangai). A estratégia causou angústia e desânimo à sua prioridade número um, os clientes.

“Expandimos muito rápido”, disse Ma em uma entrevista para a Inc. “Em 2002, tínhamos apenas o suficiente para sobreviver por 18 meses. Então desenvolvemos um produto para exportadores da China chegarem aos compradores online americanos. Esse modelo nos salvou”.

Com constantes ajustes focados no cliente, e progressos a cada ano, Alibaba se tornou uma das mais valiosas empresas de tecnologia do mundo depois de arrecadar US$ 25 bilhões de Oferta Pública Inicial (IPO) nos Estados Unidos em 2014. Como Ma coloca, Alibaba é a história de uma empresa de sucesso construída em cima de “1.001 erros”.

Disney: Por que ter um, quando se pode ter dois pelo dobro?

Em Married to the Mouse: Walt Disney World and Orlando, Richard E. Foglesong explica uma cena entre os irmãos Disney, Walt (o irmão criativo) e Roy (o irmão voltado para os negócios). Em uma reunião, havia uma grande quantidade de terras em Orlando, na Flórida, disponível por cerca de US$ 100 por acre. Walt disse, “Compre!”. Roy respondeu: “Mas Walt, já temos 12 mil acres. Temos o dinheiro?”, ao que Walt respondeu: “Roy, você não gostaria de ter 7 mil acres em volta da Disneylândia (na Califórnia) agora (se tivesse chance)?” Ao que Roy respondeu imediatamente: “Compre!”. Apesar dos recursos escassos, o irmão voltado para os negócios, Roy, entendeu o valor da propriedade. Eles aprenderam uma lição com a Disneylândia na Califórnia. E se tivessem comprado mais? Teria sido possível expandi-la e evitar as lojas de gosto duvidoso que se espalharam em seus entornos. Apenas fez sentido comprar o máximo de terras possível para que Disney tivesse espaço para concretizar seus sonhos e isolar sua visão utópica.

Virgin Wines: Então deve ser escrito…

Rowan Gormley trabalhou anteriormente com Richard Branson na Virgin por muitos anos e criou o Virgin Wines.

“O ponto mais baixo da minha carreira foi quando me recusei a reconhecer meus erros e acreditei em minha própria publicidade”, ele disse Gormley. “Os dados estavam nos dizendo onde estávamos errando com o Virgin Wines, mas continuamos lendo sobre o quão brilhantes éramos na imprensa. Eu estava em negação. É incrível como um grupo de pessoas altamente inteligentes pode entender as coisas categoricamente erradas. O que parecia bom em uma apresentação de Powerpoint simplesmente não pareceu para o cliente. Uma vez que aceitamos o que estava errado, nós derrubamos o negócio e o reconstruímos, então ele realmente decolou.”

Com Hogan Assessments

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Ser inteligente está deixando você burro

Por Ryan Daly

Você acredita que ser inteligente é o seu melhor atributo? Você confia no seu próprio cérebro? Talvez sim, talvez não. Resolva os problemas a seguir o mais rápido que puder:

  1. Um livro e uma banana juntos custam R$2,90. O livro custa R$2,00. Quanto custa a banana?
  2. Uma revista e um pacote de chicletes custam R$1,10. A revista custa R$1,00 a mais que o pacote de chicletes. Quanto custa o pacote de chicletes?
  3. Em um lago, há uma trilha de lírios. Todos os dias, a trilha dobra de tamanho. Se leva 48 dias para que a trilha cubra todo o lago, quanto tempo levaria para que a trilha cobrisse parte do lago?

Quase todos acertam a primeira questão (a banana custa R$0,90). Mas, quando chega às duas perguntas seguintes, a maioria dos cérebros pega o atalho do subconsciente, que leva à resposta errada. A solução do segundo problema, por exemplo, é R$0,05 (a revista custa R$1,05, sendo R$1,00 mais cara que o chiclete), mas quando pesquisadores fizeram uma pergunta semelhante a um grupo de estudantes de Harvard, sem dúvida uma das amostras mais brilhantes disponíveis, mais da metade errou.

Aqui está a surpresa: quanto mais inteligente você é, maior a probabilidade de seu cérebro confundi-lo.

Pesquisadores fizeram a terceira pergunta a um grupo de 482 estudantes e descobriram que quanto mais inteligentes eram os alunos, de acordo com o resultado da pontuação do SAT, um exame educacional padronizado dos Estados Unidos, e a Escala de Necessidade de Cognição (que, de acordo com um artigo, publicado na The New Yorker, que detalhou o estudo, “mede a tendência de um indivíduo a se engajar e desfrutar do pensamento”), maior a probabilidade de responder à questão de maneira incorreta e mais suscetíveis eles são a outros vieses.

Apesar de os pesquisadores não terem encontrado uma resposta ao porquê do resultado, Dr. Tomas Chamorro-Premuzic, CEO da Hogan, disse que a resposta não está em nossa inteligência, mas em nossa capacidade de executar multitarefa.

“Tomamos centenas de decisões e consumimos milhares de bits de informação ao longo de cada dia, e nossos cérebros estão sobrecarregados”, ele disse. “Eles então criam vieses e atalhos heurísticos para economizar largura de banda. Se você quer tomar uma decisão melhor, adote a regra do 90-10. Devote 10% de seu tempo para tomar 90% das decisões. Quanto mais eficientemente você fizer isso, mais recursos mentais poderão ser destinados ao que é importante.”

Nota do editor: A resposta para a pergunta número três é 47 dias. A maioria das pessoas instintivamente divide o total de dias por dois, dando a resposta incorreta de 24 dias.

Com Hogan Assessments

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Como os tímidos podem sobreviver aos bajuladores no trabalho?

Por Roberto Santos

Somos todos diferentes quanto a uma infindável lista de necessidades, motivações, características e reações às situações. Isso é o que torna cada um de nós um ser único e especial. Isso é também o que torna o relacionamento interpessoal tão desafiante – às vezes duro e outras, estimulante pelo potencial que a sinergia das diferenças produz.

Dentre essas diferenças estão o quanto queremos pertencer a grupos, ser aceitos pelos outros e, principalmente, ter nossos comportamentos, escolhas e propostas aprovados pelos outros – mais ainda quando esses outros são as figuras de autoridade de quem nosso futuro depende, ou que assim pensamos.

Quando isso não está claro para nós e para os demais, os comportamentos de se aproximar das pessoas com frequência, perguntar-lhes o que acham de tudo que fazemos e dar claras demonstrações de que a queremos satisfeitas, pode ser interpretado como “puxa-saquismo” ou insegurança para a tomada de decisões com autonomia. Nenhuma dessas opções é muito agradável de se ter como reputação numa organização.

O dilema de quanto devemos nos manter distantes ou próximos dos chefes, costuma aparecer quando vemos colegas que logo se apropriam de qualquer instante que o chefe se descuida e se mostra disponível – entre uma ligação e outra, quando está entrando no carro, a caminho do banheiro etc.

Aquele que chamamos de bajulador de plantão sai de sua tocaia para elogiar a gravata do patrão, oferecer-lhe café e desejar-lhe saúde mesmo antes de espirrar. Quando esse chefe é afeito a esse tipo de comportamento, logo é conquistado pelas gentilezas daquele que passa a ser seu favorito. Independente dos méritos de seu desempenho, o colega nessa condição regride na escala das espécies e se torna um simples “peixinho” no aquário do chefe.

Então questionamos sobre o valor de nosso esforço, dedicação, horas extras a fio para preparar o melhor trabalho da história do departamento quando tudo parece se resumir à intimidade do colega que frequenta a churrasqueira da casa do gerente, divide a mesa no refeitório e passa vários momentos do dia fechado em sua sala. Assim sobrevêm vários daqueles pecados capitais – a Ira e a Inveja em destaque.

Onde estará a razão? Todos temos que fazer uso do mesmo corrimão do chefe para uma ascensão bem-sucedida na empresa?

Quem leu outros textos que escrevi, já deve conhecer que não há respostas simples quando se trata de seres humanos e seus relacionamentos. Nosso amigo, ou amiga, que preza da intimidade do chefe em happy-hours, almoços e festas da empresa, pode ser extremamente competente naquilo que faz e, justamente por isso, seu chefe o quer bem perto dele. É duro acreditar nessa hipótese, não? Mas ela pode ser verdadeira…

O aparente bajulador pode sim ter suas limitações quanto à segurança pessoal e precisa da confirmação e reconhecimento sobre suas ideias, decisões e propostas. Nesse caso, a pessoa não tem um alvo único – o chefe, mas pede a opinião de todos, inclusive a “tia” do cafezinho. Ajudar esses colegas pode valer de uma gratidão especial que nos valoriza como desenvolvedor de pessoas.

E todos os chefes são iguais e adoram ser bajulados?

Novamente, as coisas não são tão simples. Dependendo também da necessidade de reconhecimento e de suas inseguranças, o chefe pode ser encantado pelo canto das sereias aduladoras que dele se aproximam. Entretanto, há também os chefes desconfiados até da sua própria sombra que investigarão o tempo inteiro uma segunda intenção que existiria por trás daqueles comportamentos. Nesses casos, o puxa-saco pode estar com seus dias contados, pois com ou sem culpa no cartório, ele será julgado e sentenciado a uma sentença de anos na geladeira ou desligamento da tomada da Folha de Pagamento.

Então o negócio é ficar no meu canto e só falar quando o chefe fizer uma pergunta?

Aquelas pessoas de pouca ambição e muita introversão costumam atribuir, na alcova das rodinhas de café, os piores adjetivos àqueles que, segundo elas, se autopromovem o tempo inteiro, lançando os mais elaborados fogos de artifício a cada relatório mensal padrão que entregam ao chefe – são os “gargantas”, os que não se acham mas que se têm certeza, os metidos a besta, e assim por diante.

Em sua timidez e em sua incapacidade de tomar uma iniciativa mais audaz, ou de tomar a palavra para tratar de assunto controverso numa reunião importante, esse outro personagem justifica-se criticando o diferente de si mesmo. Provavelmente, ele verá vários colegas metidos e puxa-sacos serem promovidos à sua frente.

Essa pessoa tem duas alternativas para sua carreira: passar sua vida criticando e se lamuriando sobre os colegas promovidos e a injustiça corporativa ou procurar aprender com eles, esforçando-se a se expor com mais assertividade, dispondo-se a apresentar propostas envolvendo certos riscos e desafiando abertamente a autoridade e o status quo quando estiver seguro de seus valores e razões. Qual é a alternativa que você vai escolher?

Com Vya Estelar

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Aberto a coaching ou causa perdida?

Em um mundo perfeito, um coaching bem executado leva a bons resultados. Todo bom treinador de futebol americano leva seu time ao campeonato nacional, e cada grande coach executivo se torna líder mundial. No mundo real, no entanto, não importa o quão talentoso um coach seja, o resultado de qualquer esforço de coaching depende em grande parte do profissional que o recebe.

“Meu exemplo favorito é o atletismo”, afirma Dr. Robert Hogan, fundador e Chairman da Hogan Assessments. “Dizem que, para cada 10 atletas de classe mundial, definidos em termos de habilidades físicas, apenas um dá certo. A diferença é que eles são aptos a receber coaching. Você pode ter todo o talento do mundo, mas se não der ouvidos ao coaching, simplesmente está acabado”.

Aqui estão quatro maneiras de dizer se alguém está apto a receber coaching ou se é uma causa perdida:

  1. Eles conseguem manter a calma?

Quando confrontados com más notícias, eles mantêm a calma, ou agem de maneira excitável, explosiva, defensiva ou paranoica?

“Pessoas que têm a cabeça fria são muito mais aptas a abraçar o feedback”, revela Tomas Chamorro-Premuzic, CEO da Hogan Assesssments.

  1. Eles aceitam responsabilidade?

“Eles distorcem a realidade a seu favor ou aceitam seus erros?”, indaga Chamorro-Premuzic. “Pessoas que distorcem a realidade a seu favor, obviamente, tem a vantagem de pensar nelas mesmas como mais inteligentes. Elas não assumem nenhuma responsabilidade. Pessoas que aceitam seus erros são mais aptas a receber coaching porque não só dariam ouvidos, mas de fato assumiriam a responsabilidade pelo que acontece.”

  1. Eles são abertos a feedback?

Algumas pessoas são abertas a feedback, enquanto outras resistem, negam terem feito algo errado ou fingem concordar enquanto se mantêm secretamente ressentidos. Ser aberto a feedback torna mais fácil o aproveitamento do coaching. Uma pessoa que se ressente com o feedback negativo provavelmente continuará com seus maus hábitos independente de quantas vezes seja corrigida.

  1. Eles estão dispostos a mudar?

Você pode levar um cavalo até a água, mas não consegue fazê-lo beber. Mudanças são difíceis, por isso, se não há uma disposição da parte do profissional que receberá o coaching, é provável que não haverá nenhum progresso real.

Com Hogan Assessments

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Agir positivamente e estar no comando são essenciais para empreender

Por Roberto Santos

Todos nós já tivemos ou temos aquela fantasia sobre seu voo solo na carreira. Aquele momento em que damos o grito de independência ou corte (de pessoal) e resolvemos abrir nosso próprio negócio ou aderir a uma franquia – queremos ser empreendedores!

Mas por que para algumas pessoas esse sonho se realiza e para outras ele se torna um pesadelo que as remetem à coluna de classificados de empregos ou ao LinkedIn. Veja a seguir algumas características de quem tem perfil empreendedor:

1º) Ambição

Esse atributo intrapessoal se confunde com a própria noção de empreendedorismo – coragem, firmeza, tomar iniciativas e decisões sem que alguém lhe diga para fazê-lo, aceitar desafios que significam sair de sua zona de conforto, foco e determinação na busca de resultados, facilidade e satisfação em liderar outras pessoas etc. Cabe refletir se no transcorrer de sua carreira: Você age ou agia proativamente e estava sempre buscando uma oportunidade de assumir o comando das situações? O quanto você se sentia motivado pela competição que havia dentro de seu setor? Esse tipo de motivação para o sucesso numa competição e para liderar negócios e pessoas, ao invés de ser liderado, será fundamental se a opção por empreender for definitiva.

2º) Segurança

Segundo pesquisas, os empreendedores são pessoas que conseguem conviver com situações ambíguas e pouco estruturadas, e não são apegados a formas convencionais e familiares de encarar os problemas e oportunidades. Assim, cabe sua reflexão:

Como você reage ou reagia nos momentos de transição de sua carreira: mudanças de área, de cargos, de empregos, de cidades etc? Congelava só de imaginar e listar todos os riscos que estaria correndo e acabava por evitar as oportunidades, mesmo que significassem um ganho maior? O empreendimento próprio carrega em seu DNA, uma forte dose de riscos. Se preferirmos a opção da segurança e previsibilidade, talvez não valha a pena se aventurar por esses campos de incertezas.

3º) Tino comercial

Status e controle sobre nosso ambiente são uma necessidade básica dos seres humanos. E empreendedores bem-sucedidos possuem ambos, muitas vezes na forma do reconhecimento e poder. Eles também são motivados por uma necessidade de previsibilidade e respeito dos outros. No entanto, mais importante para energizar os empreendedores é a motivação por fazer negócios, ganhar dinheiro, gerar empreendimentos lucrativos. Aqueles nossos conhecidos ou parentes que quando encontramos numa festa logo começam a falar sobre seus investimentos, sua última barganha, seu plano de poupança e coisas do tipo, são aquelas que têm a motivação comercial no topo de suas prioridades. Eles têm o que se conhece como tino comercial que ajudará bastante em seus empreendimentos pessoais. A atenção aos aspectos financeiros de um empreendimento desde a criação de um plano de negócios, definição de métricas e retorno do investimento, como o “break-even” e outras pode não ser suficiente para o sucesso do negócio, mas é certamente muito necessária.

4º) Perseverança

Outro elemento importante que se destaca em várias listas de ingredientes essenciais no perfil do empreendedor é a perseverança, resiliência ou resistência à frustração, mesmo após alguns revezes que estão sempre à espera de qualquer empreendedor. A base dessa característica é a autoconfiança, a autoestima elevada que contribuem para uma visão otimista sobre as oportunidades que se apresentam. Há que se lembrar do outro lado dessa fortaleza dos empreendedores: o exagero da autoconfiança que se transforma na arrogância e dificuldade de reconhecer os erros e aceitar feedbacks de que as coisas não estão indo bem, sem matar o mensageiro das más notícias.

O empreendedor precisa saber patinar sobre essa tênue linha no gelo, entre o otimismo autoconfiante sem descarrilar para a surdez e cegueira narcisistas. Na reflexão sobre nossa predisposição para empreender, devemos nos perguntar se, em nossas vidas como empregados, nos abatíamos demais à cada frustração, custando a nos recuperarmos; então, talvez não tenhamos energia para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, quando tivermos a primeira proposta recusada ou negócio fracassado.

5ª) Gregário ou solitário convicto

Se você é uma pessoa extremamente extrovertida, que adora estar cercada de pessoas e tem dificuldade de trabalhar sozinha e passar horas sem ninguém para trocar ideias, pense bem no tipo de negócio que vai abrir. Um mesmo ramo de alimentação pode oferecer uma oportunidade de pouca interação direta com o público, como um serviço de entrega de pizzas ou demandar intensas e constantes relações públicas como num barzinho ou restaurante. O empreendedor típico é aquele que se caracteriza pela ampla rede de relacionamentos e sua habilidade interpessoal de formar e manter essa rede se confunde com sua capacidade de vender seus produtos, serviços ou ideias. Isso não significa que os introvertidos não possam ser grandes empreendedores. Um exemplo disso são os famosos “nerds” do Vale do Silício.

Um tipo como Mark Zuckberg com certeza não parece ser o expansivo e falante vendedor típico. Talvez sua visão ao criar o Facebook tenha sido gerada pela própria necessidade de ter de suprir suas dificuldades de interação social – e deu no que deu. Em algum momento, os empreendedores introvertidos foram/são inteligentes o suficiente para se cercar de pessoas que os complementam naquilo que são vulneráveis. Então, se você é do tipo introvertido e que adora trabalhar sozinho, cuidado para não se fechar em sua concha e adiar os contatos vitais com seus clientes potenciais.

6ª) Criatividade e inovação

Frequentemente associamos a imagem do empreendedor àquela do inventor que tem uma ideia brilhante que transforma em um negócio único que cria tendências, cria um mercado, lidera a concorrência até que vende seu empreendimento e fica milionário ou transforma-o em uma franquia e continua expandindo seu poder e sua fortuna. De fato, os empreendedores tendem a ser visionários e imaginativos, abertos para novas formas de enxergar o cenário macro e desenvolver ideias que ninguém havia pensado. Contudo, nem sempre o empreendedor é um inventor ou é criativo em sua acepção da palavra de criar um produto novo. Empreendedores podem inovar no modelo de comercialização como fez a Dell. Seus computadores nunca tiveram nada de criativo ou diferente dos concorrentes, mas quando Michael Dell pensou em seu modelo de negócios pelo qual as pessoas “montam” seu computador conforme a necessidade e a fábrica só fabrica uma unidade que já foi vendida ao consumidor final, ele inovou radicalmente o setor.

O inventor pode ter ideias criativas e brilhantes, mas se não tiver a astúcia e a visão para vê-las materializadas em um modelo de negócios, chegando de forma lucrativa a um mercado consumidor, ele não passará de um Professor Pardal sonhador. A reflexão do candidato a empreendedor nesse aspecto deve focalizar não o quão criativos fomos ou somos em nossas carreiras como empregados, mas o quanto fomos capazes de pensar em novas formas de se fazer as coisas, defender estas propostas, mesmo com oposição e implantá-las de forma satisfatória e resultados concretos. Aqueles candidatos a empreendedores que se percebem como continuamente pensando fora da caixa ou até vivendo o tempo todo fora da caixa devem também considerar que a opção de se associar a uma franquia poderá ser cerceadora demais para seu espírito independente e inovador.

7ª) Autodesenvolvimento contínuo

Quando estamos afiliados a grandes empresas, muitas vezes somos convocados a programas de treinamentos que podem parecer muito úteis ou perda de tempo. Dependendo de nosso perfil pessoal, somos mais do tipo de deixar em última prioridade a atualização e aperfeiçoamento pessoais. Mais do que nunca, em nosso mundo atual de evolução rápida, constante e turbulenta de conhecimento, o autodesenvolvimento contínuo é crítico para qualquer campo profissional e não cuidar disso pode ser fatal. Portanto, crie um momento no dia, na semana ou no mês, em que você possa cuidar de sua reciclagem profissional. Invista em você mesmo!

Dez dicas para sua empresa sobreviver

 

Cabe destacar 10 excelentes dicas para a sobrevivência de empresas apresentadas no site do SEBRAE, que repito aqui:

1ª) Planeje-se sempre;

2ª) Respeite sua capacidade financeira;

3ª) Não misture as finanças da empresa com finanças pessoais;

4ª) Fique de olho na concorrência;

5ª) Prospecte novos fornecedores;

6ª) Tenha controle do seu estoque;

7ª) Marketing não se resume a anúncio, invista em outras estratégias;

8ª) Inove mesmo que seja um produto/serviço de sucesso;

9ª) Invista sempre na formação empresarial;

10ª) Seja fiel aos seus valores e do seu negócio.

O resumo da ópera é que para que a aventura do negócio pessoal não se transforme numa tragédia grega ou em uma comédia de pastelão, faça uma revisão de seu perfil pessoal. Conhecendo melhor a si mesmo e as condições materiais de que dispõe, você poderá dimensionar o grau de esforço e de artifícios que deverá planejar para encontrar um final feliz em sua história que hoje pode ser apenas de ficção científica.

Com Vya Estelar

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Decisões, decisões, decisões

Por Darin Nei

A caminho da conferência da Human Resources Professional Association, em Toronto, estava lendo o popular livro, The Signal and the Noise, do estatístico Nate Silver. Caso não esteja familiarizado com o livro ou o autor, Silver tem interesse na aplicação de probabilidade e estatísticas no entendimento de predições e tomadas de decisão usando exemplos do mundo real. É provável que esteja um pouco atrasado para a festa, mas para um nerd autoproclamado como eu, é uma leitura fascinante e algo que recomendaria.

Enquanto estava lendo o livro, houve uma frase que ressoou em mim – “Onde quer que haja um julgamento humano há potencial para viés”. Como psicólogo industrial e organizacional, não pude deixar de relacionar o trecho ao local de trabalho. Foi em algum lugar a 35 mil pés acima do Lago Erie que me dei conta; a qualidade das decisões que tomamos está diretamente relacionada a quão bem desempenhamos nossos trabalhos. De fato, é provável que isso seja um dos maiores determinantes de nosso desempenho organizacional. As pessoas e os negócios mais bem sucedidos são aqueles que tomaram as decisões certas na hora certa.

Não importa de qual trabalho estamos falando ou qual nível de uma empresa estamos considerando, a habilidade de tomar boas decisões está diretamente relacionada ao seu sucesso. Os bartenders devem decidir quando parar de servir um cliente bêbado. Engenheiros precisam tomar decisões sobre onde reforçar a estrutura dos prédios. CEOs precisam tomar decisões sobre a visão da empresa para o futuro. Tudo se trata de decisões.

Apesar de ser verdade que todos os julgamentos humanos estão submetidos a vieses, também sabemos que os humanos são previsíveis. Entendendo nossos próprios vieses, devemos estar aptos a tomar decisões melhores, ter uma habilidade de julgamento melhor. Há três componentes principais relacionados à tomada de decisão.

A primeira é o entendimento de como as pessoas processam informações. Algumas são boas em trabalhar com números, outras são melhores com palavras. Se soubermos como as pessoas processam informações, podemos entender a base de conhecimentos usada para chegar a uma decisão.

O segundo fator é o entendimento que enviesa nossas decisões. Algumas pessoas são enviesadas para maximizar recompensas, enquanto outras são voltadas a minimizar ameaças. Alguns preferem pensar a longo prazo e outros pensam no “aqui e agora”.

O terceiro fator é o entendimento de como as pessoas reagem depois de tomar uma decisão. Algumas pessoas tendem a ser mais calmas e receptivas a feedback, outras, por outro lado, tendem a ser mais defensivas e vão negar que haja algum problema com as decisões que tomaram. Como as decisões são sempre tomadas com limitações e restrições, pessoas com boa capacidade de julgamento se diferenciam por estar abertas a feedbacks e incorporá-los em futuras decisões. Em outras palavras, elas aprendem com seus erros.

Silver chega a um ponto importante quando diz que muitas previsões (decisões) falham. Para ter uma chance de tomar decisões melhores, melhorar a qualidade de nosso processo de julgamento e errar menos nas previsões, precisamos de uma perspectiva objetiva do que influencia nossas decisões e como reagimos aos feedbacks.

Com Hogan Assessments

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Os caçadores de mitos: pessoas são racionais?

Por Dustin Hunter

Desculpem, mas não existe indivíduo puramente racional ou lógico. Espero que não seja uma revelação o fato de que, no geral, as pessoas são irracionais e amplamente inconsistentes ao tomar decisões. Veja como exemplo o sistema de loterias dos Estados Unidos. Economistas se referem à loteria como um “imposto da estupidez”; a prova é que a loteria gerou cerca de US$ 68 bilhões de receita anual em 2013. O apresentador do programa Last Week Tonight, da HBO, John Oliver, resume bem como são os gastos em loteria: “É mais do que os americanos gastaram no último ano em ingressos para o cinema, música, pornografia, NFL, MLB e videogames. O que, basicamente, significa que os americanos gastam mais com a loteria do que com a América”.

Todos acreditam que podem bater as probabilidades. Muitos acham que, se decidirem jogar, as chances estarão a seu favor simplesmente por participarem do jogo. Na verdade, estudos mostram que cada um de nós acredita que está acima da média em praticamente tudo que a vida tem a oferecer (não apenas em adivinhar os números da loteria). Isso inclui inteligência, habilidades de direção e proezas sexuais, para citar apenas alguns exemplos. Esse viés muito bem estudado é chamado de superioridade ilusória e não há necessidade de um psicólogo organizacional para saber que nem todos podem estar na direção de uma distribuição normal.

Tome como exemplo as epidêmicas mensagens de texto enviadas atrás do volante, que assola as estradas atualmente. Um estudo de psicólogos da Universidade de Utah, dos Estados Unidos, mostra que apenas 2,5% da população, apelidados de “supertarefeiros”, podem desempenhar múltiplas tarefas bem o suficiente para conseguir usar o telefone e dirigir com segurança, ou enviar mensagens e dirigir. Então, por que pessoas inteligentes não param de olhar para seus smartphones na hora mais inapropriada do dia?

Junto de nossos vieses naturais, a evolução trabalha duro contra a tomada racional de decisões. Quando uma pessoa ouve o ‘ding-ding’ de uma mensagem de texto ou e-mail, que produz endorfina, um interruptor biológico é ativado. Antigamente, na história humana, esse interruptor servia ao propósito de identificar rapidamente se quem estava cutucando seu ombro por trás era um amigo ou inimigo. A atenção da pessoa a esse encontro poderia resultar em uma saudação ou uma decapitação. A mensagem de texto é o mesmo tipo de gatilho, que o cérebro deve atender para determinar uma intenção, mesmo que isso signifique derrapar para fora da estrada.

Quando o assunto é assumir riscos, seja com nossas finanças ou nossa segurança, seres humanos são péssimos em enxergar o cenário total. Antigamente, os humanos tinham de tomar apenas decisões de curto prazo com o objetivo de satisfazer suas necessidades imediatas de sobrevivência (basicamente comida e sexo), pois a expectativa de vida era de apenas algumas décadas, com sorte. Nessa era, os riscos eram calculados baseados na probabilidade de poder evitar resultados negativos, como fome ou predação. Hoje, não temos tantas consequências imediatas de nossas ações, mas o resumo das consequências a curto prazo determinam nosso sucesso a longo prazo.

Esperamos que agora você esteja mais consciente da falácia da tomada lógica de decisões. Mas se isso não ressoou em você, talvez tenda a concordar com os cerca de 21% de americanos adultos, que responderam “verdadeiro” para a frase: “Ganhar na loteria representa o jeito mais prático de acumular centenas de milhares de dólares”.

Com Hogan Assessments

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Como me desligar da empresa sem falar mal dela na entrevista de emprego?

“Tenho oportunidade de sair da empresa onde atuo há nove anos no departamento financeiro, mas com o mesmo salário. Gostaria de saber o que alegar em entrevista sobre o motivo real de minha saída, sem falar mal da empresa. Isso por conta de insatisfação, devido ao não reconhecimento, por trabalhar durante meses sozinha, por outra funcionária estar de licença médica. Ela está só há dois anos e ganha R$800,00 a mais que eu. Não me deram nenhum aumento e querem que eu trabalhe por três.”

Roberto Santos, sócio-diretor e fundador da Ateliê RH, responde:

Antes de lhe recomendar, prefiro lhe propor algumas reflexões, pois a decisão sobre sua carreira tem que ser sua. Então, pense sobre seus reais motivos de saída – lá no íntimo – você com você mesma, antes até de decidir o que falar na entrevista de desligamento da empresa atual e na entrevista de emprego que irá concorrer.

Primeira reflexão – você pode pensar que essa é sua oportunidade de dar uma resposta para a empresa (vingança) que não a reconheceu quando trouxeram uma pessoa de menor capacidade e contribuição que você, que ainda começou ganhando mais que você e ainda não a reconhece quando você “trabalha por três”? Este pode ser de fato um motivo justificável, mas não isoladamente.

Segunda reflexão: excluindo este problema que foi criado com a contratação dessa pessoa, se você está na empresa há nove anos, ela deve ter aspectos positivos – ambiente de trabalho, colegas interessantes, oportunidades de aprendizagem, treinamento e carreira etc. Se o que leva você a querer pedir demissão é a situação atual com essa pessoa; não seria interessante oferecer uma chance para sua empresa reparar seus erros antes de você fechar com a consultoria que a está considerando?

Não sugiro fazer leilão, mas se você gosta da empresa atual e essa a avalia positivamente, apesar de não estar reconhecendo monetariamente, é sempre saudável abrir o jogo, pois decisões podem estar sendo cozinhadas envolvendo sua valorização e depois que você der a palavra na outra empresa, não seria aconselhável voltar atrás.

Terceira reflexão: os motivos reais são remuneração e proximidade de sua residência? Pelo que menciona em sua consulta, você está disposta a trocar de emprego até pelo mesmo salário. Esses motivos me parecem muito de curto prazo. A vida pode mudar, e por outros motivos você ou sua empresa pode ter que mudar de bairro. Se você topa trocar seis por meia dúzia, será que não está se desvalorizando como reclama da empresa atual?

Sugiro você dar um “zoom-out”, inverter o binóculo e ao invés de olhar o curto prazo, refletir sobre que tipo de carreira você quer construir. Se você encara seu trabalho apenas como uma fonte de sobrevivência e os aspectos de custos e qualidade de vida são os únicos que importam, a opção de ganhar o mesmo e morar bem mais perto de sua casa, pode ser seu caminho. Se você encara ou gostaria de encarar o trabalho e a carreira como uma fonte de realização intelectual e motivacional, a troca de emprego deveria contemplar qual opção a levará mais longe na carreira – opções de cursos, treinamentos, estágios, projetos interessantes para aprender coisas novas etc. O que falar na empresa em que está e nas empresas que você considera como a próxima, vai depender de suas respostas às reflexões acima.

Boa sorte!

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